As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos (as midterms) foram realizadas na terça-feira (3/11), e a apuração seguia nas fontes consultadas até a publicação. O que se sabe: democratas eram apontados como favoritos para retomar a Câmara dos Representantes, o controle do Senado era mais incerto, e nenhuma das duas Casas havia sido declarada oficialmente nas reportagens lidas. Para o contexto da reta final da campanha, leia também Midterms nos EUA: Trump encerra campanha, democratas lideram nas projeções e 57 milhões já votaram.

O que estava em jogo

Segundo o G1, foram a voto as 435 cadeiras da Câmara, 35 das 100 vagas do Senado e os governos de 36 estados. Deputados têm mandato de dois anos e senadores, de seis, por isso o Congresso é renovado parcialmente a cada dois anos. Os eleitos tomam posse em janeiro de 2027. Donald Trump não estava na cédula; seu mandato termina em janeiro de 2029.

Nas eleições de 2024, o Partido Republicano conquistou maioria nas duas Casas, por margem pequena. De acordo com o G1, a maioria apertada deu base para Trump avançar com parte da agenda, mas expôs divisões internas do partido em temas sensíveis.

A situação de cada partido antes da apuração

  • Senado: republicanos têm 53 cadeiras e democratas, 47 (incluindo dois independentes que votam com o partido), segundo o G1. A CBS lista 11 disputas-chave, entre elas cadeiras republicanas no Alasca, Iowa, Kansas, Maine, Carolina do Norte, Ohio, Carolina do Sul e Texas, e cadeiras democratas na Geórgia, em Michigan e em New Hampshire.
  • Câmara: a CBS contava 218 republicanos (mais um independente que costuma votar com eles), 214 democratas e duas vagas abertas. A maioria exige 218 votos.
  • Projeções para a Câmara: o modelo Battleground Tracker da CBS, de 25/10, estimava 229 cadeiras democratas, em faixa de 215 a 237. Em outubro, o Decision Desk HQ chegou a prever 234, conforme a busca de matérias consultada.
  • Projeções para o Senado: variam. O G1 reuniu três cenários de 2/11: 53 a 47 para os democratas (Center for Politics, da Universidade da Virgínia), 51 a 45 com 4 indefinidas (Race to the WH) e 48 a 48 com 4 indefinidas (270toWin).

Primeiros resultados e o clima da eleição

Segundo a CBS, o democrata Mark Warner foi projetado como reeleito na Virgínia por volta das 19h (horário de Nova York). A France 24 informou, pela agência AP, a vitória de Warner sobre o republicano Bert Mizusawa e a do democrata Oliver Gilbert no 24º distrito da Flórida. O líder democrata Hakeem Jeffries disse na noite de terça que o partido "está à beira" de retomar a maioria, mas não dá nada como garantido.

O clima de opinião favorecia a oposição. Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 2/11 mostrou 64% de desaprovação ao governo Trump e 32% de aprovação, ligadas principalmente à condução da economia e ao custo de vida, segundo o G1. Pesquisas de boca de urna iniciais citadas pela CBS apontavam aprovação de 38%. A France 24 relatou que cerca de seis em cada dez eleitores consideravam errada a ação militar no Irã.

A promessa de US$ 5 mil

Em vídeo de 2/11, Trump repetiu que daria US$ 5 mil a "todos os cidadãos adultos" caso os republicanos vencessem, e afirmou que, se os democratas ganhassem, haveria "depressão econômica" e aumento de impostos, segundo o Terra. O valor equivale a cerca de R$ 27.300. A matéria não detalha como a medida seria financiada nem em que prazo.

Ocorrências durante a votação

A France 24 registrou prolongamento de 30 minutos da votação em três locais do condado de Chester (Pensilvânia) por problemas em máquinas, queixas de autoridades de Michigan sobre monitores federais e a Suprema Corte negando pedido para descartar cerca de 20 mil cédulas pelo correio na Califórnia.

O que vem a seguir

A apuração é feita por cada estado, e pode levar dias até que se saiba quem controlará cada Casa. Em 2022, a definição da Câmara levou mais de uma semana, lembra o G1, em parte pela contagem de votos enviados pelo correio. Um resultado oficial dependerá da divulgação por AP, redes de TV e autoridades estaduais.

Análise

A promessa de distribuir US$ 5 mil a cada adulto resume um problema antigo da política: o dinheiro não nasce no discurso. Para pagar o cheque, o governo precisa tributar, endividar-se ou emitir moeda, e Mises mostrou que a expansão artificial de moeda e crédito não cria riqueza, apenas redistribui poder de compra, via inflação, de quem recebe depois para quem recebe primeiro. Bastiat chamaria o cheque de "o que se vê"; "o que não se vê" é o imposto presente ou futuro e o preço mais alto que o eleitor pagará.

O mesmo vale para o outro lado. A acusação de que os democratas aumentariam impostos é um argumento legítimo, mas um partido que defende menos Estado precisa ser coerente quando governa. Republicanos e democratas aprovaram, nas últimas décadas, déficits recorrentes, e a pesquisa que liga a rejeição a Trump ao custo de vida é lembrete de que tarifas e gasto público pesam no bolso, como apontam cerca de dois terços dos eleitores ouvidos, segundo a France 24.

Há ainda um ponto institucional. A divisão do Congresso entre partidos tende a frear a expansão do poder federal, algo que o Estado de Direito e a defesa da propriedade privada têm a ganhar. Hayek lembrava que o poder concentrado em poucas mãos sempre sabe menos do que imagina. Um governo dividido não resolve o problema do gasto, mas dificulta que um único grupo aprove, sem freio, aumentos de despesa e de impostos.