Com a notícia de que o aquecimento do Pacífico junto às costas do Peru e do Equador atingiu +5,4°C acima da média, segundo dados da NOAA divulgados em 2 de novembro, cresceu a busca por "El Niño". Mas há dois fenômenos diferentes em jogo, e confundi-los leva a conclusões erradas sobre o tempo no Brasil.
Costeiro: um fenômeno local
O El Niño Costeiro é o aquecimento anormal das águas do Pacífico equatorial perto da costa sul-americana, na região monitorada como Niño 1+2. Afeta o clima de países como Peru e Equador e, às vezes, o Chile. Segundo a Euronews, é um fenômeno local, que não altera o clima do mundo todo.
Clássico: alcance global
O El Niño clássico é o aquecimento do Pacífico central e leste. Ele é acompanhado pela região Niño 3.4 e altera a circulação da atmosfera em escala planetária, o que reorganiza chuvas e temperaturas em vários continentes. É esse fenômeno que influencia o Brasil.
O que Inmet e NOAA indicam
Em publicação de 14 de agosto, o Inmet, com base na NOAA, informou probabilidade igual ou superior a 90% de El Niño muito forte entre setembro e janeiro, 69% de chance de ser o mais intenso desde 1950 e possível anomalia de 2,5°C ou mais nas águas do Pacífico. O episódio teria começado em junho e duraria pelo menos até março de 2027.
Sul
O instituto aponta chuvas acima da média. Em julho, segundo o Inmet, os volumes ficaram entre 30% e 90% acima do esperado, conforme a localidade, e em 20 de outubro o excesso de chuva já prejudicava lavouras de trigo.
Norte e Nordeste
Chuvas mais irregulares e totais abaixo da média, com impactos mais fortes a partir de outubro, de acordo com o Inmet.
Sudeste e Centro-Oeste
O Painel El Niño de 29 de outubro, citado pelo Inmet, previu mais chuva que o normal no Sul, em partes do Sudeste e do Centro-Oeste, de novembro de 2026 a janeiro de 2027.
Limites da previsão
O Inmet destaca que os efeitos variam por região. Previsão sazonal mostra tendência, não o que ocorrerá em cada cidade ou dia. O próprio órgão peruano ENFEN, segundo a Euronews, alerta que magnitude "extraordinária" do aquecimento não implica necessariamente chuvas ou danos históricos.
Serviço
Acompanhe os alertas do Inmet e da Defesa Civil. Em chuva forte, evite encostas e áreas alagáveis e não atravesse ruas alagadas. Defesa Civil: 199. Bombeiros: 193. Alerta por SMS: envie o CEP para 40199.
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