O aquecimento das águas do Oceano Pacífico junto às costas do Peru e do Equador atingiu, neste início de novembro de 2026, uma intensidade sem precedentes nos registros modernos. De acordo com dados divulgados na segunda-feira (2) pela NOAA, a agência de clima e oceanos dos Estados Unidos, a anomalia de temperatura da superfície do mar chegou a +5,4°C na chamada região Niño 1+2, segundo a MetSul Meteorologia, que repercutiu os números.
O que é a região Niño 1+2
As regiões Niño são faixas do Pacífico equatorial usadas para acompanhar o aquecimento ou o resfriamento das águas. A Niño 1+2 fica mais perto da costa de Peru e Equador e serve para monitorar o chamado El Niño Costeiro. A Niño 3.4, no Pacífico central, é a mais importante para definir se o El Niño ou a La Niña clássicos estão em curso.
Comparação com os grandes eventos
Segundo a MetSul, com base no índice tradicional ONI (Índice Oceânico Niño), nunca havia sido observada anomalia de +5°C ou mais em qualquer região Niño. Os picos semanais anteriores na Niño 1+2, conforme o mesmo levantamento:
- 1982-1983: +4,2°C (semana de 29 de junho de 1983)
- 1997-1998: +4,0°C (semana de 13 de agosto de 1997)
- 2015-2016: +2,7°C (semana de 15 de julho de 2015)
- 2023-2024: +3,4°C (semana de 2 de agosto de 2023)
No índice mais novo, o RONI (Índice Oceânico Niño Relativo), que desconta o aquecimento geral do planeta, o valor atual empatou com o recorde de +4,6°C de junho de 1983, de acordo com a MetSul.
Alerta oficial no Peru
A comissão multissetorial peruana ENFEN, em comunicado de 30 de outubro (nº 19-2026), manteve o alerta de El Niño Costeiro e avaliou a magnitude como extraordinária na costa do país, segundo a Euronews. A previsão do órgão, na mesma reportagem, é que essa magnitude se mantenha até fevereiro de 2027, com enfraquecimento gradual a partir de março e retorno a condições neutras por volta de junho de 2027.
A ENFEN projeta chuvas acima do habitual nas costas norte e central do Peru de novembro de 2026 ao verão austral de 2027, com mais intensidade e frequência no norte, e aumento de vazão nos rios Piura, Tumbes e Rímac. Também são esperadas temperaturas bem acima do normal, com possibilidade de novos recordes, e déficit de chuva em partes da serra oriental, da Amazônia peruana e da região do lago Titicaca. O órgão ressalva que "extraordinário" descreve a magnitude do aquecimento do mar e não implica necessariamente chuvas, inundações ou danos em níveis históricos.
Impactos já registrados
De acordo com a MetSul, chuvas torrenciais atingiram o Equador e o norte do Peru:
- Guayaquil (Equador): pelo menos 83 setores da cidade foram atingidos por alagamentos, com falta de energia em diferentes áreas.
- Galápagos: na ilha de Santa Cruz, as chuvas causaram inundações em Puerto Ayora, com mais de 2 mil pessoas afetadas e uma morte, segundo o relato. O governo equatoriano mobilizou ajuda humanitária e pontos turísticos foram fechados por precaução.
- Peru (Tumbes e Piura): o rio Tumbes chegou a uma vazão de 1.021 metros cúbicos por segundo na segunda-feira (2), e equipes de resgate e militares atenderam áreas urbanas alagadas.
Esses números vêm de relato de veículo de meteorologia e não de boletim oficial com horário; a divergência com balanços das autoridades locais pode ocorrer.
E o Brasil?
O El Niño Costeiro é um fenômeno local, que afeta sobretudo Peru, Equador e, às vezes, o Chile. Ele é diferente do El Niño clássico, de alcance global, que envolve o aquecimento do Pacífico central e leste. O Brasil sente principalmente o segundo.
Nesse caso, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), com base em previsões da NOAA, divulgou em agosto probabilidade igual ou superior a 90% de um El Niño muito forte nos trimestres de setembro a novembro, outubro a dezembro e novembro a janeiro, e 69% de chance de ser o mais intenso desde 1950. O instituto indica que o episódio começou em junho e deve durar pelo menos até março de 2027.
Para o Brasil, o Inmet aponta como regiões mais afetadas o Sul, onde as chuvas devem seguir acima da média, e o Norte e o Nordeste, com chuvas mais irregulares e totais abaixo da média. Em atualização de 29 de outubro, o Painel El Niño citado pelo instituto previu mais chuva que o normal no Sul, em partes do Sudeste e do Centro-Oeste, e menos chuva em grande parte do Norte e em áreas do Nordeste, de novembro de 2026 a janeiro de 2027. Em 20 de outubro, o Inmet já relatava que o excesso de chuva prejudicava lavouras de trigo no Sul.
Previsão é cenário, não garantia
Cada El Niño se comporta de um jeito, e um evento mais intenso não significa, automaticamente, impactos mais severos em todas as regiões. As previsões sazonais indicam tendências de chuva e temperatura, não o que acontecerá em cada cidade. Quem vive no Sul deve acompanhar os alertas do Inmet e da Defesa Civil.
Serviço
Em caso de chuva forte, evite áreas de alagamento e encostas, não atravesse ruas alagadas e afaste-se de árvores e redes elétricas durante vendavais. Defesa Civil: 199. Bombeiros: 193. Para receber alertas por SMS, envie o CEP para 40199.



