Os Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira (3) nas eleições de meio de mandato, as midterms, que renovam todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, 35 das 100 vagas do Senado e dezenas de governos estaduais. O resultado pode impor as primeiras limitações reais ao presidente Donald Trump desde que ele voltou à Casa Branca, em janeiro de 2025, já que hoje o Partido Republicano controla o Executivo e as duas Casas do Congresso.
Campanha encerrada em Washington
Na segunda-feira (2), Trump encerrou a campanha com um discurso diante do espelho d'água do Lincoln Memorial, em Washington. Segundo O Globo, ele chamou a votação de a "mais importante em nossas vidas" e afirmou que os democratas indicaram "a lista de candidatos mais extremista e perigosa da História americana", atribuindo, sem apresentar provas, ligações de candidatos com grupos extremistas. O jornal informa que os primeiros 26 minutos da fala foram dedicados à reforma do local e às realizações do governo na capital.
Em entrevista ao podcast Pod Force One, do New York Post, o presidente disse esperar bons resultados, mas afirmou que, se os republicanos perderem, vai "vetar tudo". Também disse que, depois da eleição, concederá um grande número de indultos a aliados e que "não pensaria duas vezes" ao ser questionado se perdoaria todos que trabalharam para ele, lembrando os quase 1.500 perdões dados a envolvidos na invasão do Capitólio em 2021.
Os democratas fecharam a campanha com cautelosa confiança, segundo o G1, enquanto os republicanos intensificaram a mobilização da base. Trump esteve em comício em Dubuque, Iowa, no domingo (1º).
O que dizem as projeções
A última projeção do Decision Desk HQ antes da votação estima maioria democrata de 241 a 194 na Câmara e de 52 a 48 no Senado. O modelo do The Economist, usado como referência pelo BTG Pactual, aponta 239 cadeiras democratas na Câmara, e o Polymarket dava cerca de 92% de chance de vitória do partido na Casa. No Senado a disputa é mais apertada: a chance de maioria democrata varia de 65% (Polymarket) a 72% (modelo do BTG). Segundo O Globo, a mais recente pesquisa New York Times/Siena mostrou os democratas à frente nas sete disputas mais acirradas pelo Senado. Para assumir a Casa, o partido precisa de ganho líquido de quatro cadeiras, inclusive em estados que Trump venceu por margem de dois dígitos em 2024.
Projeções e pesquisas não são resultado: modelos já erraram em eleições anteriores, e a diferença no Senado depende de poucos estados.
Votos antecipados e temor de contestação
De acordo com a transmissão do O Globo, o país chegou ao fim da campanha com cerca de 57 milhões de votos antecipados (o título da reportagem cita 53 milhões, e o texto da transmissão, 57 milhões). Democratas ouvidos pelo jornal temem que Trump conteste o resultado, como fez em 2020, e eleitores em estados como o Texas organizam estratégias para fazer valer o que as urnas disserem.
O governo Trump pediu à Suprema Corte que intervenha em um caso eleitoral na Califórnia. O Departamento de Justiça exigiu que o estado não conte os votos de cerca de 20 mil eleitores que, segundo o governo, provavelmente não são cidadãos, sem verificação prévia, e abriu processo contra o estado. A Califórnia diz que suas salvaguardas contra o voto de não cidadãos são robustas. Segundo a Reuters, citada pelo G1, tribunais rejeitaram 27 das ações do governo para obter listas eleitorais não censuradas, e uma apuração da agência de julho achou 129 casos de não cidadãos acusados federalmente de votar ilegalmente desde 1996. A Casa Branca sustenta que o voto de não cidadãos é um problema significativo. O secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, disse à Fox News, sem apresentar provas, que o órgão encontrou 300 mil não cidadãos nos cadernos eleitorais.
O que muda se os democratas vencerem
Controlar apenas a Câmara daria à oposição poder sobre o orçamento federal e sobre comissões capazes de investigar o governo, entre outros temas os arquivos de Epstein. Um Senado democrata poderia ainda barrar indicações vitalícias de Trump a tribunais, incluindo a Suprema Corte, e ampliaria o peso sobre nomeações para órgãos como o Federal Reserve. Segundo o G1, os democratas pretendem abrir investigações sobre o presidente, o governo e a família dele e tentar bloquear o financiamento da guerra no Irã.
O voto latino e a economia
O G1 aponta que o voto latino, que ajudou Trump em 2024 (44% do grupo), migrou para os democratas: pesquisa citada pelo New York Times projeta 61% a 31% a favor deles. Entre as causas estão as operações do ICE e a inflação. A CNN Brasil destaca que os preços altos, atribuídos por muitos eleitores a tarifas e à guerra com o Irã, dominam o humor do eleitor, embora o desemprego siga historicamente baixo e o crescimento seja sólido.
Quando saem os resultados
A apuração começa com o fechamento das urnas nesta terça, mas disputas apertadas e a contagem de votos pelo correio podem atrasar a definição de algumas cadeiras. O Tendência News acompanha os desdobramentos.



