O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quinta-feira (5), no Salão Oval, que prefere não "destruir o resto do país" se possível, "mas talvez eu tenha que fazê-lo. Vocês saberão em breve", referindo-se ao Irã. A frase, segundo o G1, foi dita em resposta a uma pergunta sobre propostas de mediadores para o futuro do programa nuclear iraniano. No mesmo dia, o Irã informou ter enviado uma proposta nuclear a Washington por meio do Catar. A última cobertura do Tendência News sobre o tema está em Irã diz que pode reabrir o Estreito de Ormuz em dois dias se os EUA aceitarem suas condições.
O que Trump disse
Além da ameaça, Trump afirmou, segundo a CNN Brasil, que o Irã não faz "nada" na área nuclear sem a aprovação dos EUA. Na terça-feira (3), ele havia dito que não descartava retomar as operações de combate depois das eleições de meio de mandato, de acordo com a Reuters. Ao Financial Times, também na terça, afirmou que os EUA não tinham planos imediatos de atacar o Irã, conforme relatou o G1.
A proposta iraniana e as sete exigências
Uma autoridade iraniana de alto escalão, que não teve o nome divulgado, disse à Reuters que Teerã enviou a proposta nuclear pelo Catar e que os EUA a analisam. O documento só será discutido depois que Washington atender a sete exigências. Mohsen Rezaei, autoridade de segurança iraniana, afirmou durante visita à Rússia: "Enquanto eles não cumprirem essas sete condições, não abriremos o Estreito de Ormuz nem iniciaremos negociações".
As exigências citadas pelas reportagens incluem a suspensão das sanções americanas, a liberação de ativos iranianos congelados e o pagamento de reparações de guerra. As matérias lidas não detalham as sete. Washington, por sua vez, sustenta que a questão nuclear deve fazer parte de qualquer negociação inicial.
Mediação do Catar
Segundo o New York Times, citado pelo O Povo, o Catar fez três rodadas de negociações com o Irã na semana anterior, e os iranianos analisam um conjunto de "propostas concretas" dos mediadores sobre o programa nuclear. Fontes ouvidas pelo jornal avaliam que a disposição iraniana de retomar o diálogo indica que os esforços tiveram "algum sucesso". A CNN Brasil registra que o ponto central da divergência é a insistência do Irã em enriquecer urânio em seu território: Teerã afirma ter direito à energia nuclear pacífica, e os EUA reconhecem o uso civil, mas dizem não confiar nas garantias.
Contexto da guerra e da política americana
EUA e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro, e o Irã respondeu com ataques a Israel e a países do Golfo que abrigam bases americanas. O conflito se estendeu ao Líbano, com o Hezbollah, e ao Iêmen, de onde os houthis atacaram alvos de energia e aeroportos na Arábia Saudita, segundo a CNN Brasil. O G1 afirma que, após um cessar-fogo fracassado, a guerra continua em menor intensidade.
Nas eleições de meio de mandato, o Partido Republicano perdeu a maioria na Câmara e no Senado. Trump reconheceu na quarta-feira (4) que a guerra teve influência no resultado. Segundo o G1, uma pesquisa Reuters/Ipsos na véspera da votação mostrou que 55% dos eleitores consideravam que a ação militar não valeu o custo, 25% achavam que valeu e 18% não sabiam; 48% apontaram o custo de vida como principal tema. O G1 cita ainda estimativas, de fontes do Pentágono, de que a guerra custou até US$ 100 bilhões aos cofres americanos. A Casa Branca não detalhou, nas reportagens consultadas, o que seria a ação mencionada por Trump.
Análise
A ameaça de destruir "o resto do país" ilustra um problema antigo: guerras abertas e sem prazo dão ao governo um poder que raramente volta ao tamanho original. Pelo princípio da não agressão, a força só se justifica como defesa contra uma agressão concreta. Quando o objetivo vira "o que o Irã pode ou não fazer sem nossa aprovação", a fronteira entre defesa e tutela fica difícil de traçar.
O custo também é econômico. O próprio G1 aponta alta de combustíveis, passagens e inflação e uma conta de até US$ 100 bilhões. Em Bastiat, é o que "se vê" (a operação militar) e o que "não se vê": o que os contribuintes e consumidores deixaram de fazer com esse dinheiro e com preços de energia mais altos. Mises associava o gasto de guerra pago com dívida e emissão de moeda à inflação, e os números de custo de vida citados reforçam a lição.
A queda dos republicanos no Congresso mostra, por outro lado, um freio institucional saudável: o eleitor cobrou e o Legislativo passa a ter peso para fiscalizar gastos militares. Vale o mesmo critério para qualquer governo, de qualquer partido: guerra financiada por imposto e dívida exige prestação de contas clara. Para o leitor brasileiro, a Análise é simples: conflito distante chega ao bolso pelo petróleo, e o caminho de longo prazo é menos dependência de decisões políticas de poucos.



