Os preços do petróleo operaram abaixo de US$ 100 o barril nesta quinta-feira (5), depois de uma queda de mais de 8% na quarta-feira (4), que levou a commodity ao menor nível em mais de dois meses. O movimento veio após o Partido Republicano, do presidente Donald Trump, perder o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato, e reflete a aposta de investidores de que a nova correlação de forças pode acelerar o fim da guerra de EUA e Israel contra o Irã, segundo o G1. O contexto político está em Trump diz que talvez tenha de destruir "o resto do país" e, antes, em Irã diz que pode reabrir o Estreito de Ormuz em dois dias.

Os números do petróleo

Na quarta, os contratos futuros do Brent fecharam em queda de 8,7%, a US$ 94,62, e os do WTI recuaram 8,3%, para US$ 88,12, ambos no menor nível desde 31 de agosto. Na quinta, por volta das 14h, o Brent tinha alta de 2,29%, a US$ 96,79, e o WTI subia 2,37%, a US$ 90,21 (cotações do G1, sem recomendação de compra ou venda).

O que dizem os analistas

Segundo o G1, duas fontes próximas a governos do Golfo afirmaram que, enfraquecido e diante de um Congresso democrata, Trump tem mais incentivo para buscar acordo, e um ataque em larga escala parece menos provável. Analistas do Golfo ponderaram que um acordo que permita ao Irã reivindicar vitória clara poderia gerar tanto reação imprudente quanto moderação. Dennis Kissler, da BOK Financial, disse à Reuters que o controle democrata poderia restringir gastos militares no Oriente Médio e aumentar a chance de um acordo mais rápido. Trump, porém, voltou a ameaçar o Irã na quinta, o que mantém a incerteza.

Reflexo no Brasil

Segundo a InfoMoney, o Banco Central manteve a Selic em 13,75% ao ano na quarta, interrompendo o ciclo de cortes iniciado em março, em sua primeira decisão após a reeleição de Lula. O BC, prevendo inflação mais alta nos próximos anos, citou ampliação das incertezas e cenário desafiador. Na manhã de quinta, o Ibovespa Futuro subia 0,30%, aos 170.005 pontos, e o dólar futuro caía 0,15%, a R$ 5,478.

Análise

O petróleo caiu porque o mercado reprecificou o risco político, o que mostra como preços de energia carregam o que Hayek chamava de conhecimento disperso: a cotação resume expectativas de milhões de agentes sobre guerra e paz de forma que nenhum planejador conseguiria. Por isso, controle de preços de combustíveis, em qualquer governo, tende a esconder o sinal e criar escassez depois.

A manutenção da Selic em 13,75% lembra outro ponto da escola austríaca: juros refletem a escassez de poupança e o risco da economia, e o custo de inflação alta recai sobre quem vive de salário. O que o BC chama de incerteza inclui o peso de gastos públicos e do risco fiscal, e a responsabilidade fiscal é a política monetária mais barata. Já a alta do petróleo no mundo, causada por guerra, mostra o preço de decisões estatais que o consumidor paga sem ter sido consultado.