Quem foi ao cinema nesta quinta-feira (5) pode ter esbarrado em um candidato a Oscar sem precisar de smoking: "Feito pipa", de Allan Deberton, estreou nos cinemas brasileiros e carrega nas costas (ou na linha, para ficar na metáfora) a missão de levar o Brasil de novo à disputa por uma vaga em Melhor Filme Internacional.
O que é "Feito pipa"
O longa se passa no sertão do Ceará e acompanha Gugu (Yuri Gomes), menino de quase 12 anos apaixonado por futebol e por dança, que vive com a avó Dilma (Teca Pereira), professora aposentada. Quando surge a possibilidade de ir morar com o pai, Batista (Lázaro Ramos), um homem rígido e de afetos não ditos, o garoto enfrenta o primeiro grande desafio da vida. Segundo O Globo, ele tenta esconder a doença da avó para não ter de se mudar. A história parte de Quixadá, no interior cearense, onde o filme foi gravado, e mistura infância, memória e relações familiares complicadas com uma dose de humor.
A distribuição é da Paris Filmes, e o filme está em cartaz apenas nos cinemas, sem streaming por enquanto.
A estrada até o Oscar
Em setembro, a Academia Brasileira de Cinema escolheu o longa para representar o país na corrida por uma indicação a Melhor Filme Internacional no Oscar 2027, cuja cerimônia está marcada para 14 de março. Segundo o Bahia Notícias, a escolha é feita por um comitê de 15 integrantes (12 eleitos entre os membros da Academia Brasileira e 3 indicados pela diretoria). Ser o escolhido, porém, não é ser indicado: o filme ainda precisa entrar na lista de 15 semifinalistas, prevista para 15 de dezembro, em uma categoria com número recorde de 105 filmes qualificados, segundo o diretor.
O Globo lembra que "Feito pipa" tenta seguir os passos de "Ainda estou aqui", de Walter Salles, vencedor da categoria, e de "O agente secreto", de Kleber Mendonça Filho, finalista. Pressão pequena, como se vê.
Campanha em Los Angeles
A campanha já está na rua. No domingo anterior à estreia, o filme foi exibido no Los Angeles Brazilian Film Festival e, no dia seguinte, o ator Wagner Moura, já indicado ao Oscar, apresentou uma sessão voltada a membros da Academia. Deberton diz que a agenda inclui novas exibições em Los Angeles, São Francisco, Chicago, Nova York, Londres, Madri e outras capitais.
Prêmios pelo caminho
O longa estreou mundialmente no Festival de Berlim, em fevereiro, e passou por mais de 50 mostras e festivais. Foi o mais premiado da 54ª edição do Festival de Gramado, com Kikitos de Melhor Direção (Allan Deberton), Melhor Atriz (Teca Pereira), Melhor Ator Coadjuvante (Lázaro Ramos) e Melhor Filme pelo Júri Popular, além de menção honrosa para Yuri Gomes. A contagem total de prêmios em Gramado varia conforme o veículo (quatro Kikitos em alguns, cinco prêmios em outros). O Diário do Nordeste cita ainda dois prêmios em Guadalajara (México) e um em Cartagena (Colômbia).
O recado de Lázaro Ramos
Antes da estreia, Lázaro gravou um vídeo de uma sala de cinema pedindo que o público prestigie o filme. Disse que a obra "não é indicação" ainda, mas é "mais um passo enorme para a nossa cultura", e resumiu: "Esse filme é nosso". Ao O Globo, afirmou estar animado com a campanha e com a tarefa de fazer o maior número possível de votantes assistir ao longa.
Informações como duração e classificação indicativa não constavam nas fontes consultadas; confira na bilheteria ou no site do seu cinema.



