O ativista pró-democracia Joshua Wong foi condenado nesta quinta-feira (5) a 10 anos de prisão pela Alta Corte de Hong Kong por conspirar para conluio com forças estrangeiras, crime previsto na lei de segurança nacional imposta por Pequim em 2020. A sentença foi lida pelo juiz William Tam, segundo o veículo Hong Kong Free Press.

Como a pena foi calculada

O tribunal partiu de uma pena-base de 13 anos e reduziu três anos por causa da confissão: Wong se declarou culpado. O juiz afirmou que a natureza do crime é "grave" e que a punição "deve corresponder à gravidade do delito", chamando a sentença de "muito pesada". Os 10 anos correm de forma concorrente com os cerca de dois meses que Wong ainda tinha a cumprir da pena anterior. Segundo o Hong Kong Free Press, ele deve permanecer preso até 2036, quando completa 40 anos, a menos que receba redução de pena; presos por segurança nacional enfrentam critérios mais rígidos para a soltura antecipada.

O que diz a acusação

A promotoria sustentou que, em 2020, Wong teria combinado com a ativista exilada Nathan Law e outras pessoas pedir a governos estrangeiros sanções, bloqueios ou outras medidas hostis contra Hong Kong e a China continental. Os dois também teriam feito lobby por leis como a Hong Kong Human Rights and Democracy Act, dos Estados Unidos. O juiz classificou Wong e Law como "líderes" e "mentores" do esquema e disse que a atuação deles agravou a crise política dos protestos de 2019. Os dois fundaram o partido Demosisto, que já foi dissolvido.

Histórico do caso

  • Wong está preso desde novembro de 2020, quando se declarou culpado de incitar e organizar uma manifestação não autorizada em frente à sede da polícia, durante os protestos de 2019.
  • Ele já cumpria quatro anos e oito meses no caso conhecido como "Hong Kong 47", em que 45 figuras pró-democracia foram condenadas em 2024 a até 10 anos.
  • A nova acusação foi apresentada em junho de 2025, quase cinco anos depois dos fatos descritos pela promotoria.
  • Em fevereiro de 2026, o empresário Jimmy Lai foi condenado a 20 anos pelo mesmo tipo de crime, e três ex-executivos do jornal Apple Daily receberam 10 anos cada.

Reações

Na leitura da sentença, Wong, que completou 30 anos na prisão em outubro, apareceu calmo, disse "obrigado" e acenou a apoiadores, alguns em lágrimas. Ex-integrantes do grupo Scholarism, que ele liderou na adolescência, disseram que precisavam de tempo para assimilar a decisão. Representantes de consulados estrangeiros acompanharam o fim da audiência. Segundo reportagens de agências internacionais, a organização Human Rights Watch chamou a pena de "cruel e injusta", enquanto a polícia de segurança nacional de Hong Kong afirmou que o caso mostra que os esforços do ativista por sanções estrangeiras foram inúteis. Governos de Hong Kong e da China sustentam que a lei de segurança nacional é necessária para a estabilidade da região; críticos afirmam que ela é usada para calar a oposição.