O Tennessee (EUA) tentou executar por injeção letal, em 30 de setembro, a condenada Christa Pike, de 50 anos, e a tentativa falhou: segundo a imprensa, ela recebeu duas doses de pentobarbital e sobreviveu. Seria a primeira mulher executada no estado em mais de 200 anos. O governador Bill Lee ordenou uma investigação independente e suspendeu as execuções até o fim do ano. O caso voltou ao noticiário depois que a defesa deu novos detalhes do que aconteceu na sala de execução.

O que aconteceu

Pike cumpria pena de morte pelo assassinato de uma jovem de 19 anos, em 1995, e estava no corredor da morte havia mais de 30 anos. Na segunda-feira anterior (28 de setembro), Lee negou o pedido de clemência, que pedia a conversão da pena em prisão perpétua. Na quarta-feira (30), o estado aplicou duas doses de pentobarbital, e a execução não se completou. Na quinta-feira (1º), ela recebia atendimento médico em um hospital de Nashville. Segundo o Centro de Informações sobre Pena de Morte, citado na cobertura, é a primeira vez na era moderna dos EUA em que alguém recebeu as drogas e sobreviveu.

O que alega a defesa

Os advogados de Pike dizem que haviam alertado para o risco de falha por causa de veias pequenas e de um histórico de trombocitose, e que pediram métodos alternativos, negados. Chamaram o protocolo de "tortura química". Randy Spivey, do escritório do defensor pós-condenação, descreveu a experiência como "torturante" e disse que o braço esquerdo foi perfurado por pelo menos sete agulhas e o direito ficou roxo. Testemunhas relataram que ela ainda respirava uma hora depois das doses. Em 24 de outubro, o UOL noticiou, segundo a manchete, que a defesa falava em cerca de 10 agulhas usadas — número que difere do citado antes e que depende da confirmação do estado.

O que diz o governo e o que vem a seguir

Lee afirmou que ninguém queria que aquilo acontecesse e classificou o episódio de "tragédia". Ele não indicou se reconsideraria a comutação da pena. Segundo a cobertura da AP, o governador também disse que a execução ainda programada para este ano não ocorrerá. A reportagem lida não traz posição do Departamento de Correção do estado. Um tribunal federal de apelações havia mandado interromper o procedimento horas antes, mas a Suprema Corte dos EUA, por 6 a 3, liberou o estado a seguir, com divergência da juíza Sonia Sotomayor; o caso segue em análise na corte de apelações.

O episódio é o segundo problema em execuções no Tennessee em 2026: em maio, a execução de Tony Carruthers foi suspensa depois de mais de uma hora de tentativas de achar uma veia, e ele recebeu adiamento. Reações vieram também da ONU, cujo alto comissário para direitos humanos, Volker Türk, disse que o caso expõe razões para abolir a pena de morte, e da senadora estadual democrata Heidi Campbell, que o chamou de "catástrofe moral".