O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, votou antecipadamente nas eleições de meio de mandato (as chamadas midterms), marcadas para 3 de novembro. Ele esteve acompanhado da primeira-dama, Melania Trump, em um local de votação em West Palm Beach, na Flórida, perto de Mar-a-Lago, residência do casal. Em seguida, segundo a Folha de S.Paulo, seguiu para um comício de campanha na Geórgia.

Divergência de data. A Folha informa que o voto ocorreu no sábado (24); o G1 publicou a notícia no domingo (25), e a legenda da foto da agência Reuters que o acompanha traz a data de 25 de outubro. A reportagem não conseguiu confirmar qual das datas é a correta.

O que Trump disse

Perguntado pela imprensa se havia votado a favor do Partido Republicano, o presidente respondeu que "com toda a certeza". Conforme o G1, ele também falou sobre as guerras da Ucrânia e do Irã. Sobre o Irã, disse que cabe ao país decidir se haverá novos ataques americanos: "terminamos o trabalho, o que não seria muito difícil? Ou fazemos um acordo com eles?", afirmou, acrescentando que "isso vai depender deles". Trump também elogiou as habilidades de negociação de Melania, a quem a Casa Branca atribui uma trégua localizada entre Rússia e Ucrânia na cidade de Oleshky.

Alegações de fraude

Segundo a Folha, Trump voltou a questionar a segurança do sistema eleitoral americano e, sem apresentar provas, alegou que houve fraude em massa nas eleições de 2020 e que haveria cédulas inválidas em Los Angeles, cidade de maioria democrata. O jornal observa que não há registros de fraudes significativas desse tipo.

O governo afirma que suas iniciativas buscam combater fraudes e garantir que só quem tem direito ao voto participe das eleições. Entre elas está o projeto Save America Act, que exige documento com foto e comprovante de cidadania para o registro eleitoral e amplia o compartilhamento de dados entre estados e governo federal; a proposta não foi aprovada no Congresso. No mês passado, a Suprema Corte recusou um pedido do governo para que o Serviço Postal aplicasse novas regras às cédulas enviadas pelo correio, modalidade usada em maior proporção por eleitores democratas, segundo pesquisas citadas pela Folha.

O que está em jogo

As eleições de 3 de novembro renovam toda a Câmara dos Deputados e um terço do Senado. Os republicanos tentam manter a maioria estreita que têm nas duas Casas, em meio à queda de popularidade do governo e a pesquisas que indicam risco de derrota; historicamente, o partido da oposição costuma se sair melhor nas eleições de meio de mandato. Reportagem do New York Times, citada pela Folha, afirma que a operação política de Trump destinou US$ 277 milhões a candidatos do partido entre setembro e meados de outubro. Sem maioria, o presidente teria menos espaço para aprovar sua agenda nos dois últimos anos de mandato, e os democratas prometem ampliar investigações sobre seus negócios e os de pessoas próximas.

Análise

Esta seção é a leitura editorial do Tendência News, que adota uma linha liberal.

Questionar publicamente a integridade de eleições sem apresentar provas corrói a confiança nas instituições, valor que independe de partido: vale para quem faz a alegação nos EUA e valeria para qualquer governante no Brasil. Se há fragilidades reais no sistema, o caminho de uma democracia liberal é apontá-las com evidências, submetê-las ao Judiciário e às legislaturas estaduais e respeitar a divisão federativa que a Constituição americana estabelece para a administração das eleições. A proposta de "nacionalizar" o processo, relatada pela Folha, merece o mesmo escrutínio que se aplicaria a qualquer concentração de poder.