A Gerdau anunciou na terça-feira (3 de novembro de 2026) o encerramento da produção de aço na usina de Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. A decisão foi comunicada aos trabalhadores pela manhã, segundo o Metrópoles, e confirma os rumores que circulavam na cidade desde agosto.

O que a Gerdau disse

Segundo as reportagens consultadas, a empresa atribui a decisão à perda de competitividade da unidade, principalmente pela falta de minério de ferro a custos competitivos. Também cita o aumento das importações de aço e um cenário internacional desfavorável, sobretudo para exportações, que historicamente tiveram peso nessa usina.

A Gerdau afirma que a medida faz parte de um plano de concentrar a produção de aço em fábricas mais competitivas, eficientes e tecnologicamente avançadas. A companhia diz que avalia transferir parte dos trabalhadores para outras unidades e oferecer capacitação técnica e oficinas para facilitar a recolocação.

Quantas pessoas são afetadas

A prefeitura de Divinópolis estima que cerca de mil pessoas, entre empregados próprios e terceirizados, sejam afetadas, o equivalente a aproximadamente 7,4% do emprego industrial do município. As matérias ressaltam que esse número não corresponde necessariamente ao total de demissões, e a Gerdau não havia detalhado quantos desligamentos haverá. Segundo o Portal G37, o sindicato dos metalúrgicos havia estimado antes do anúncio cerca de 400 trabalhadores atingidos por mudanças nos altos-fornos e na aciaria. O Metrópoles trouxe a manchete de centenas de demitidos; as demais fontes tratam o número de demissões como não confirmado.

Não está claro, nas reportagens lidas, o que será feito com as demais estruturas da unidade, no bairro Interlagos, nem se alguma operação, como a laminação, será mantida.

O que vinha acontecendo

Em 29 de outubro, o Diário do Comércio publicou que a usina poderia ser fechada em novembro. À época, a prefeita Janete Aparecida (Avante) disse que os fornos estavam desligados e que a unidade dava prejuízo de cerca de US$ 5 milhões por mês, número atribuído a ela e não confirmado pela empresa. Ela defendia manter ao menos a laminação, responsável por cerca de 40% das operações, dos empregos e dos impostos.

O Sindicato dos Metalúrgicos de Divinópolis e Região afirmou, após reunião com a Gerdau, que os rumores "têm fundamento", e cobrou garantia de direitos trabalhistas e indenização a quem fosse desligado. Uma assembleia foi convocada para a terça-feira (3), às 17h. Na ocasião, a Gerdau não confirmou o fechamento e disse que parte dos colaboradores estava em férias ou banco de horas por causa de "elevados níveis de estoque" e do cenário desafiador do aço no país.

Os rumores se intensificaram em agosto, após a empresa encerrar a aciaria e a laminação da unidade Açonorte, em Recife, e demitir parte dos trabalhadores. A empresa negou na época que haveria efeitos em Divinópolis.

Impacto para o município

A prefeitura calcula que a usina responda por até cerca de 15% dos repasses de ICMS recebidos pelo município; segundo o Portal G37, não há cálculo final divulgado. Os bairros Interlagos e Porto Velho, vizinhos da usina, reúnem mais de 2 mil empresas, 93% delas microempresas, entre fornecedores, transportadoras, comércio e serviços.

A prefeitura diz que acompanhava o caso em diálogo com a Gerdau, que mapeia os impactos e que anunciará ainda nesta semana um programa de apoio a trabalhadores e negócios afetados. Os detalhes, como benefícios e critérios, não foram divulgados. A prefeita disse que a prioridade é apoiar as pessoas, acompanhar a cadeia de fornecedores e defender a economia local, "sem promessas que não dependem de nós".

Análise

O fechamento de uma usina com quase mil postos de trabalho é, antes de tudo, um drama humano, e a resposta que importa é a do mercado de trabalho que absorverá essas pessoas. A própria empresa aponta a causa: custo do insumo e concorrência de aço importado. Em uma economia em que o custo de produzir no Brasil carrega tributos em cascata, logística cara e insegurança regulatória, a decisão de concentrar a produção onde o custo é menor é a resposta racional de quem arca com o risco do capital.

A tentação, nesses casos, é pedir subsídio, proteção tarifária ou crédito estatal para manter a unidade aberta. Frédéric Bastiat chamaria a atenção para o que se vê (os empregos preservados) e o que não se vê: o custo diluído entre todos os pagadores de impostos e os empregos que deixam de surgir em setores sem proteção. Para Hayek, é o sistema de preços que transmite o conhecimento disperso sobre onde produzir; sufocá-lo com intervenção só adia o ajuste e o encarece.

O que o poder público pode fazer sem violar a liberdade de ninguém é reduzir o custo Brasil: simplificar tributos, dar segurança jurídica a investimentos, destravar o licenciamento e abrir caminho para novos empregadores. A dependência de uma cidade de uma única fonte de arrecadação, na casa de 15% do ICMS, também lembra a prudência de um orçamento municipal que não gaste como se a receita fosse garantida.