A usina da Gerdau em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas, passou em quatro anos de um projeto de modernização de R$ 185 milhões ao anúncio do fim da produção de aço, confirmado em 3 de novembro de 2026. Esta linha do tempo reúne o que as reportagens consultadas informam.

2022: investimento de R$ 185 milhões

Em maio de 2022, o Diário do Comércio informou que a Gerdau investiria R$ 185 milhões na usina, com obras iniciadas naquele mês. Cerca de R$ 120 milhões seriam destinados à modernização dos três altos-fornos, que usam biomassa. A aciaria teria seis intervenções, a laminação, sete projetos, e a área de utilidades buscaria reduzir o consumo de água.

O valor fazia parte de um pacote de R$ 6 bilhões anunciado pela empresa para Minas Gerais no ano anterior. A produção deveria ser retomada na primeira semana de junho daquele ano, com estoques formados para não afetar clientes, e cerca de 2 mil trabalhadores diretos e indiretos foram contratados para as obras. A empresa dizia que o quadro de funcionários seria mantido. Esse anúncio é de 2022: não se trata de projeto novo.

2024 e agosto de 2026: sinais de ajuste

O Diário do Comércio lembra que a Gerdau hibernou a usina de Barão de Cocais em maio de 2024. Em agosto de 2026, a empresa encerrou a aciaria e a laminação da unidade Açonorte, em Recife, e demitiu parte dos trabalhadores. Em Divinópolis, os rumores de fechamento cresceram, e a empresa negou na época que haveria efeito na unidade mineira.

Outubro de 2026: rumores e a versão da empresa

Em 29 de outubro, o jornal informou que a usina poderia fechar em novembro. A prefeita Janete Aparecida (Avante) disse que os fornos estavam desligados e atribuiu à unidade prejuízo de cerca de US$ 5 milhões mensais; a Gerdau não comentou o valor nem a paralisação, e falou em "elevados níveis de estoque" e cenário desafiador do aço. O sindicato dos metalúrgicos afirmou que os rumores tinham fundamento.

3 de novembro de 2026: o anúncio

A Gerdau confirmou o fim da produção de aço, alegando falta de minério de ferro a custo competitivo, alta das importações e mercado externo desfavorável. A prefeitura estima cerca de mil pessoas afetadas, entre próprios e terceirizados (7,4% do emprego industrial), e até 15% do ICMS repassado ao município. O número de demissões não foi detalhado pela empresa nas matérias lidas, e o destino das demais estruturas da unidade segue em aberto.

O que vem a seguir

A prefeitura prometeu apresentar ainda nesta semana um programa de apoio a trabalhadores e a mais de 2 mil empresas dos bairros Interlagos e Porto Velho, 93% delas microempresas. A Gerdau diz avaliar transferências para outras unidades e capacitação para recolocação. Ainda não há detalhes sobre indenizações, prazos de desligamento ou uso futuro da área.

Análise

A trajetória ilustra o que Mises descrevia sobre o cálculo econômico: investimento só se sustenta se o preço dos insumos e do produto indica que há lucro. Em 2022, a empresa apostou R$ 185 milhões na modernização; quatro anos depois, a mesma planilha, com minério mais caro que o de outras plantas e aço importado competindo, apontou outro caminho. Capital privado errando ou ajustando arca com o próprio custo, o que é diferente de dinheiro público bancando uma unidade deficitária.

Para o contribuinte e para o trabalhador, o recado é sobre ambiente de negócios: tributação, burocracia e custos logísticos pesam em cada decisão de onde produzir. Proteção estatal e subsídios, tentadores no curto prazo, transferem o custo para quem não participou da decisão. Uma política que respeite propriedade e contratos, reduza impostos e deixe o capital migrar para onde é mais produtivo tende a gerar novos empregos mais rápido do que a tentativa de segurar os antigos por decreto.