O dólar comercial disparou nesta segunda-feira (26), primeiro pregão depois da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o Tesouro Nacional reagiu cancelando leilões de títulos e recomprando papéis. Segundo o InfoMoney, a moeda fechou a sexta-feira (23) a R$ 4,993 e, às 14h09, valia R$ 5,446, alta de 9,06%. O fechamento oficial da sessão não estava disponível quando este texto foi escrito.
Dólar hoje: os números do dia
De acordo com o InfoMoney, o dólar abriu em alta de 8,65%, a R$ 5,425 (9h09). Na máxima do dia chegou a R$ 5,605, e a mínima foi R$ 5,405. Outros veículos reportaram a moeda acima de R$ 5,60 na abertura, o que mostra que as cotações variam conforme o horário e a fonte. Nossa cobertura da primeira manhã traz esse primeiro momento.
No mercado de ações, o Ibovespa fechou a sexta em 205.082,56 pontos. Às 14h37, estava em 175.032,74 pontos, queda de 14,58%, com mínima de 169.516,43 pontos (13h51), conforme o InfoMoney. A B3 acionou o circuit breaker na abertura, pela primeira vez desde março de 2020, e suspendeu as negociações por 30 minutos.
Juros e a resposta do Tesouro
Os juros futuros subiram com força. Na tabela das 9h33 do InfoMoney, o contrato DI para janeiro de 2031 estava em 14,460% ao ano, contra 12,575% no fechamento de sexta, alta de 1,885 ponto percentual; o de janeiro de 2027 marcava 13,869% (+0,394 ponto).
O Tesouro cancelou leilões de títulos prefixados e atrelados à inflação (IPCA+) e recomprou papéis, medida usada para conter a alta das taxas, segundo o InfoMoney. Não há, nas fontes consultadas, valores da recompra de hoje.
Por que o mercado reagiu assim
O InfoMoney lista as causas apontadas por analistas e pelo mercado:
- a reeleição de Lula, com 51,79% dos votos válidos, contrariou as apostas em uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL), que liderava boa parte das pesquisas;
- o temor de mais gastos públicos sem compensação, que eleva o risco fiscal e o retorno exigido pelos investidores;
- o desmonte de posições compradas em ações e vendidas em dólar, que intensificou o movimento;
- a declaração de Flávio de que não reconhece a derrota e pedirá a anulação da eleição, que aumentou a incerteza institucional. A posição foi apresentada por ele e não há decisão da Justiça Eleitoral nesse sentido; veja o que se sabe sobre o desafio fiscal do próximo mandato.
O governo Lula não havia apresentado, nas fontes lidas, um plano fiscal novo em resposta ao mercado.
O que acompanhar
Quem tem contas em dólar ou viagem marcada deve olhar a cotação de fechamento, que pode diferir bastante das parciais do dia. A taxa PTAX do Banco Central e o comportamento dos juros futuros nos próximos dias indicarão se a pressão se mantém.
Análise
Esta seção é a leitura editorial do Tendência News, que adota uma linha liberal.
Um movimento de 9% no câmbio e de 15% na Bolsa em um só dia é um recado sobre credibilidade fiscal, não sobre preferência partidária: o mercado cobra mais para financiar um Estado que gasta mais do que arrecada, qualquer que seja o governo. A resposta que reduz o prêmio de risco é conhecida: metas fiscais críveis, controle de despesas obrigatórias e regras que o Executivo se comprometa a cumprir. Intervenções do Tesouro como as de hoje aliviam o sintoma, mas não substituem essa âncora.
O mesmo rigor vale para o outro lado. Questionar o resultado das urnas sem provas apresentadas e antes de qualquer decisão judicial agrava a incerteza e encarece o crédito para todos, inclusive para quem votou no derrotado. Respeito às instituições e previsibilidade são condições do investimento e do emprego.