A Anthropic, desenvolvedora do assistente de inteligência artificial Claude, tornou públicos nesta segunda-feira (26) os documentos de seu pedido de abertura de capital nos Estados Unidos. Segundo o G1, a empresa pretende negociar as ações na Nasdaq sob o código ANT. Os papéis ainda não têm preço nem quantidade definidos. A operação é coordenada por Goldman Sachs e Morgan Stanley.
Nota de transparência: este texto foi produzido com auxílio de inteligência artificial, e o Claude é um produto da Anthropic, a empresa tratada na reportagem.
O que os documentos mostram
De acordo com o G1, que cita informações da agência Reuters, a Anthropic registrou no primeiro semestre de 2026 receita de cerca de US$ 16,3 bilhões e prejuízo líquido de US$ 80,7 bilhões (R$ 452,3 bilhões, ao dólar de R$ 5,6048 usado pelo jornal). A receita do segundo trimestre cresceu 1.368% em relação ao mesmo período de 2025.
O AI Weekly, que resumiu números atribuídos ao Wall Street Journal, detalha a receita: US$ 4,73 bilhões no primeiro trimestre e US$ 11,5 bilhões no segundo. Em todo o ano de 2025, o faturamento havia sido de cerca de US$ 4,6 bilhões.
Por que o prejuízo é tão grande
A própria Anthropic atribui boa parte do resultado negativo ao aumento do valor de dívidas que podem ser convertidas em ações da empresa, segundo o G1. Esse aumento entra nas contas como perda, mas não significa desembolso de caixa equivalente. O AI Weekly também descreve a maior parte do prejuízo como encargo contábil sem saída de dinheiro.
Em outras palavras, o número de US$ 80,7 bilhões mede sobretudo a valorização de instrumentos financeiros, e não quanto a empresa gastou a mais do que arrecadou. Os documentos reconhecem, porém, que os gastos para desenvolver modelos mais avançados (centros de dados, chips e infraestrutura) devem continuar crescendo.
Clientes e compromissos de computação
Conforme o AI Weekly, cerca de 25% da receita vem de apenas dois clientes não identificados, sem contratos de longo prazo. O mesmo resumo cita compromissos de US$ 518 bilhões em capacidade de computação ao longo de cerca de dez anos, dos quais aproximadamente 80% não podem ser cancelados. Esses dados vêm de um resumo de terceiros do documento preliminar e não foram verificados diretamente pelo Tendência News no arquivo da SEC.
A Anthropic também alertou, nos documentos, para riscos de sistemas de IA agirem de forma inesperada e fora do controle humano, segundo o G1.
Quanto vale e quando seria a estreia
A empresa foi avaliada em US$ 965 bilhões em maio, em rodada que atraiu investidores do setor financeiro e de tecnologia. Segundo o G1, citando a Reuters, alguns investidores passaram a avaliá-la em torno de US$ 1,5 trilhão, abaixo dos cerca de US$ 2 trilhões estimados uma semana antes. A Bloomberg Línea fala em valor justo entre US$ 1,8 trilhão e US$ 2 trilhões para alguns investidores. As estimativas, portanto, divergem.
A Bloomberg Línea, com base em fontes, informou ainda que a receita do terceiro trimestre teria chegado a US$ 16,8 bilhões, com crescimento menor que o do trimestre anterior, e que o anúncio formal da oferta deveria ocorrer na semana de 9 de novembro, com estreia possivelmente antes do feriado de Ação de Graças nos EUA. Esses detalhes não foram confirmados pela empresa e podem mudar.
Após a divulgação, as bolsas americanas operavam em alta pela manhã: às 10h55 (Brasília), o Dow Jones subia 0,45%, o S&P 500, 0,57%, e o Nasdaq, 0,46%, segundo o G1.
Análise
Esta seção é a leitura editorial do Tendência News, que adota uma linha liberal.
Uma abertura de capital é, em princípio, uma boa notícia para quem defende o livre mercado: a empresa financia seu crescimento com dinheiro de investidores que assumem o risco, e não com subsídio público, e precisa abrir suas contas ao escrutínio de qualquer pessoa. O S-1 cumpre esse papel de transparência, e é por isso que dados como a concentração de receita em dois clientes e os compromissos de computação de centenas de bilhões de dólares vieram à tona.
O mesmo escrutínio vale como alerta. Receita multiplicada por mais de dez em um ano convive com custos gigantescos e dependência de poucos clientes; cabe ao investidor ler os riscos, e não só a curva de crescimento. Ao mercado, e não a governos, cabe precificar se uma avaliação na casa do trilhão de dólares se sustenta. Se a operação sair, será um teste útil e público dessa pergunta.