A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que venceu o senador Flávio Bolsonaro (PL) por cerca de 4,4 milhões de votos no domingo (25), deve levar a uma alta das taxas do Tesouro Direto nesta segunda-feira (26). Segundo o InfoMoney, gestores e economistas previam que os títulos prefixados e atrelados à inflação devolvessem parte, ou até a totalidade, da forte queda de juros que se seguiu ao primeiro turno, quando o mercado passou a apostar na vitória do candidato do PL.
O que aconteceu no mercado
Na manhã de segunda, as taxas dos contratos de DI dispararam mais de 200 pontos-base em parte da curva, de acordo com o Money Times. Por volta das 10h, o DI para janeiro de 2027 estava em 13,898% (ante 13,475% na sexta), o de janeiro de 2029 em 15,030% (ante 12,595%) e o de janeiro de 2035 em 15,375% (ante 12,680%). A curva deixou de precificar corte da Selic pelo Copom. O Money Times informa ainda que a B3 elevou os limites de oscilação apenas para a sessão. Segundo a manchete do portal, o Tesouro suspendeu leilões em meio à tensão; o texto da matéria não detalha a medida, e este site não confirmou em fonte oficial quais títulos foram afetados.
Antes e depois
O Tesouro Prefixado 2032 havia recuado de 14,15% ao ano na abertura de 2 de outubro, último pregão antes do primeiro turno, para 12,89% no fechamento de sexta (23). O Tesouro IPCA+ 2050 foi, no mesmo período, de IPCA + 7,06% para IPCA + 6,42%.
"Você tem uma piora que tende a ser bem mais intensa do que a melhora que aconteceria com a eleição do Flávio", disse Luiz Cesario, economista-chefe da Asset1, antes do segundo turno. Alfredo Menezes, CEO e CIO da Armor Capital, projetava alta de pelo menos 1 ponto percentual nas taxas longas. Bruno Corano, da Corano Capital, via espaço para os juros longos voltarem à faixa de 14% a 15%. O JPMorgan, em nota, apontou que as taxas dos títulos podem chegar a 15,5% no cenário pessimista, mas disse preferir aguardar a reação do mercado antes de ajustar a recomendação.
Quanto os títulos podem perder
Pelos cálculos do InfoMoney, uma alta de 1 ponto percentual na taxa reduziria o preço do Tesouro IPCA+ 2050 em cerca de 20%, o do Prefixado 2032 em cerca de 4,4% e o do Prefixado 2029 em cerca de 2%. A queda de preço só vira prejuízo para quem vende antes do vencimento: quem leva o título até o fim recebe a rentabilidade contratada na compra.
O que fazer, segundo os especialistas
Para proteção no curto prazo, Corano aponta os pós-fixados, categoria do Tesouro Selic. Ele ressalta que a alta das taxas também abre oportunidades: depois da reprecificação, juros reais muito altos voltam a oferecer pontos de entrada para quem tem horizonte longo. Este texto é informativo e não é recomendação de investimento.
Próximos passos
O Copom se reúne em 4 de novembro, com a Selic em 13,75% ao ano; Corano vê alta probabilidade de o Banco Central interromper o ciclo de cortes. O mercado também acompanha a escolha do ministro da Fazenda, a meta de resultado primário para 2027 e como o Orçamento absorverá o custo das medidas anunciadas no ano eleitoral.
Análise
Esta seção é a leitura editorial do Tendência News, que adota uma linha liberal.
O que se viu na segunda-feira é o preço da desconfiança fiscal. Os juros longos não sobem por capricho do mercado: sobem quando o investidor teme que a dívida cresça mais rápido que a capacidade de pagamento. Quem paga essa conta é o conjunto da sociedade, com crédito mais caro para famílias e empresas e menos investimento produtivo.
A resposta que reduz esse prêmio de risco é conhecida: regra fiscal crível, meta de primário cumprida, Orçamento transparente sobre o custo das medidas eleitorais e um Banco Central com autonomia respeitada. A escolha do próximo ministro da Fazenda será o primeiro sinal, e o mercado tende a julgar por atos, não por discurso. Vale o mesmo rigor para qualquer governo: o Tesouro não é fonte inesgotável de recursos, e a poupança do pequeno investidor em títulos públicos depende da credibilidade de quem os emite.