As ações da Vale (VALE3) abriram a semana em forte alta nesta segunda-feira (26), um dia depois da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. Às 11h12, segundo o InfoMoney, o papel subia 7,03%, a R$ 66,33, ante R$ 61,90 no fechamento de sexta-feira (23).
O que move a ação
O movimento acompanha o câmbio. No mesmo horário, o dólar avançava cerca de 10% no dia, enquanto o Ibovespa chegava a cair em torno de 16% e acionou o circuit breaker nos primeiros minutos do pregão. A Vale tem receita majoritariamente em dólar, o que tende a favorecer o papel quando o real se desvaloriza. Segundo o InfoMoney, empresas mais sensíveis aos juros não acompanharam a alta.
Dois bancos, duas leituras
O JPMorgan, em relatório divulgado nesta segunda, mantém recomendação overweight (equivalente a compra) para a Vale, com preço-alvo de R$ 112 para dezembro de 2027. O banco vê um descolamento entre os fundamentos da mineradora e o desempenho recente das ações e avalia que a resolução do acordo envolvendo Mariana eliminou uma das principais incertezas. Como riscos, cita oscilações no preço do minério de ferro e eventuais interrupções na produção.
O UBS BB, por sua vez, ressalta que os papéis da Vale acumulam queda de cerca de 12% desde agosto, mas considera que a ação ainda não reflete plenamente a deterioração dos fundamentos operacionais e do mercado de minério. O banco projeta excesso de oferta global, com o avanço da produção das grandes mineradoras e do projeto Simandou, na Guiné, e demanda fraca por aço. O minério de ferro recuou para perto de US$ 90 por tonelada na última semana.
O que olhar a seguir
Mesmo com a alta do dia, os dois relatórios apontam que o preço do minério e a demanda chinesa por aço continuam sendo os fatores centrais para a empresa, independentemente do câmbio. Para o investidor, a distinção é relevante: o ganho de segunda-feira vem da desvalorização do real, não de uma melhora nos negócios da companhia.
Análise
Esta seção é a leitura editorial do Tendência News, que adota uma linha liberal.
A alta da Vale numa segunda-feira de pânico no resto do mercado mostra o que a bolsa está precificando: não a qualidade das empresas, mas a confiança do país. Quando o real se desvaloriza quase 10% em um dia e o circuit breaker é acionado, quem exporta em dólar vira porto seguro, e quem depende do mercado interno paga a conta. É um sinal de que o investidor já desconta risco fiscal e institucional, e não de que a economia brasileira vai melhor.
Para o novo mandato, o que sustenta investimento e emprego é previsibilidade: regra fiscal crível, segurança jurídica e respeito aos contratos, inclusive nos acordos de reparação como o de Mariana, cuja resolução o próprio JPMorgan aponta como fator de redução de incerteza. Dólar alto ajuda exportadora, mas encarece insumos, dívida em moeda estrangeira e a vida do consumidor. Ganho cambial de ocasião não substitui reformas e responsabilidade com as contas públicas.