A Gerdau (GGBR4) aparece entre as principais apostas do JPMorgan para a bolsa brasileira após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. Em relatório divulgado nesta segunda-feira (26), conforme o InfoMoney, o banco mantém recomendação overweight (exposição acima da média, equivalente à compra) para a siderúrgica, com preço-alvo de R$ 35 para dezembro de 2027, ante cotação de R$ 25,22 no fechamento de sexta-feira (23).

Por que o banco gosta da Gerdau

Segundo os estrategistas liderados por Rodolfo Angele, a empresa se diferencia dos concorrentes brasileiros pela forte presença na América do Norte. O banco ressalta que as medidas protecionistas adotadas nos Estados Unidos, incluindo tarifas sobre o aço importado, têm sustentado preços mais elevados e fortalecido a demanda naquele mercado, e que a operação local deve continuar impulsionando os resultados.

O papel do câmbio

A tese do JPMorgan para o setor de materiais básicos parte da expectativa de desvalorização do real: uma moeda mais fraca beneficia exportadoras de commodities, com mais geração de caixa e rentabilidade. Para a Gerdau, o banco calcula que a geração de caixa livre tende a crescer num ambiente de real depreciado, e vê valuation considerado atrativo. Gerdau, Vale (VALE3) e Suzano (SUZB3) são as três ações com recomendação de compra destacadas no relatório; a Suzano é a principal preferência do banco.

O que isso não significa

Recomendação de banco é uma opinião de analista, não garantia de retorno, e o alvo para dezembro de 2027 tem prazo longo. O próprio mercado ainda reagia à eleição, com forte alta do dólar e queda do Ibovespa nos primeiros negócios do dia. Este texto é informativo e não é recomendação de investimento.

Análise

Esta seção é a leitura editorial do Tendência News, que adota uma linha liberal.

O caso da Gerdau ilustra um ponto incômodo: a ação é vista como defensiva porque grande parte do seu negócio está fora do Brasil, protegida por tarifas americanas e por receita em dólar. Ou seja, uma das melhores teses do mercado local é, na prática, sair do ambiente doméstico. Isso diz muito sobre a percepção de risco do país.

Tarifas de importação, aliás, são o oposto de livre mercado: elevam o preço do aço para a indústria e o consumidor americanos e, no longo prazo, distorcem investimento e concorrência. Que a Gerdau se beneficie delas é fato; que seja boa política econômica, não. Para que o capital volte a olhar o mercado interno, o país precisa oferecer o que o investidor cobra há anos: contas públicas equilibradas, segurança jurídica e um ambiente de negócios menos custoso.