A primeira sessão depois da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou com forte estresse no mercado brasileiro. Segundo a CNN Brasil, a B3 acionou o circuito de interrupção (circuit breaker) e paralisou por 30 minutos os ativos à vista nesta segunda-feira (26), por causa da alta volatilidade após o resultado das urnas.
Os números da abertura
- Dólar: às 9h30 subia 12,52%, a R$ 5,60, de acordo com a CNN Brasil. Na noite de domingo, o contrato futuro do real já recuava mais de 10%, segundo a Folha, depois de o dólar ter caído abaixo de R$ 5 nos dias anteriores.
- Ibovespa futuro: o contrato com vencimento em dezembro chegou a cair mais de 17% nos primeiros negócios e, às 10h10, recuava 16,74%, aos 173.260 pontos.
- Juros futuros: os contratos de depósito interfinanceiro subiram com força; o de janeiro de 2027 chegou a 14%, alta de 54 pontos-base.
- Regras da B3: o limite de queda diária dos futuros do Ibovespa foi ampliado para 20%, após ter sido fixado em 15%. Se, na volta do primeiro circuit breaker, a queda atingir 15%, a negociação para por uma hora.
Foi o primeiro acionamento do mecanismo desde março de 2020, no início da pandemia, como lembrou a Folha.
Por que o mercado reagiu assim
A Folha relata que a Bolsa havia acumulado alta de 15,3% desde agosto e superado 200 mil pontos, com o mercado posicionado para um desfecho diferente. "O resultado contraria o cenário-base e entrega a maior surpresa desta eleição", disse Felipe Balassiano, diretor do ASA, ao jornal. Analistas citados pela Folha apontam o temor de falta de ajustes nas contas públicas, que tende a elevar o prêmio de risco exigido para financiar o governo e a pressionar juros e crédito. Na noite de domingo, ações brasileiras negociadas nos EUA caíam de forma expressiva: o ETF EWZ chegou a recuar 18,36%, e Petrobras, Itaú e Bradesco perdiam cerca de 12% a 13%.
Os números mudam a cada minuto e devem ser conferidos no fechamento. O fechamento da sessão não estava disponível no momento da redação. Para a reação da noite de domingo, veja a matéria sobre o pré-mercado; sobre o desafio fiscal, leia aqui.
Análise
Esta seção é a leitura editorial do Tendência News, que adota uma linha liberal.
Uma queda desta magnitude em um dia mostra que o preço dos ativos brasileiros embutia uma aposta política e que o mercado trata a trajetória da dívida pública, em 82,9% do PIB, como o principal risco do país. A leitura liberal é que o recado é fiscal, não eleitoral: investidores cobram regras claras, controle de despesas obrigatórias e previsibilidade, e esse custo recai sobre quem toma crédito, de famílias a empresas. A reação de volta dependerá menos de discursos e mais de sinais concretos do governo reeleito sobre gasto, arcabouço fiscal e respeito à independência do Banco Central. Vale o mesmo rigor para qualquer governo: quem perde com juros altos é o contribuinte, e a transparência sobre as contas é a melhor forma de reduzir esse custo.