O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse neste sábado (31) que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pode permanecer no país "o tempo que quiser", mas que não tem planos de se encontrar com ele. A declaração foi dada a repórteres em Mar-a-Lago, clube do presidente em Palm Beach, na Flórida, e foi relatada por G1 e CNN Brasil.

O que Trump disse

Segundo o G1, Trump afirmou que "a eleição foi uma vergonha" e que Flávio "foi muito maltratado". Questionado sobre a carta divulgada pelo senador, disse não querer comentar o assunto naquele momento. Ele também afirmou ter acompanhado a eleição brasileira sem tomar partido e que o presidente Lula lhe pediu que não o fizesse. Ao falar do que viu no Brasil, citou o mercado: "O mercado despencou", disse.

O resultado oficial foi confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que declarou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o G1, as alegações de fraude citadas por Trump foram feitas sem apresentação de provas, e o próprio PL reconheceu o resultado das urnas, embora tenha pedido esclarecimentos à Justiça.

A versão de Marco Rubio

No mesmo dia, o secretário de Estado, Marco Rubio, disse que o governo americano "não se envolveu diretamente" na vinda de Flávio. "Não estávamos envolvidos em nenhum dos acordos ou preparativos que ele fez para deixar o país", afirmou, segundo o G1. Rubio acrescentou que Trump havia deixado claro que, se o senador chegasse aos EUA por um ponto de entrada, receberia autorização condicional de entrada (parole), o que, segundo ele, foi o que aconteceu. O secretário também confirmou que deve se encontrar com o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, durante o fórum do G7, na França.

O que a imprensa americana publicou

O G1 lembra que o Wall Street Journal informou, na quarta-feira (28), que Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca, ajudou a conseguir o avião particular que levou Flávio e a família. De acordo com o jornal, Santiago Caputo, assessor do presidente argentino Javier Milei, também participou do plano. As declarações de Rubio dizem respeito à ausência de envolvimento direto do governo; as informações sobre Miller e Caputo são atribuídas ao jornal e não foram confirmadas por documentos citados nas fontes consultadas.

Contexto

Segundo o G1, Flávio deixou o Brasil após perder a eleição para Lula e depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), incluir o passaporte do senador em pedido de apreensão. Ele afirma que saiu por temer novas medidas judiciais e que sofre perseguição política, sem apresentar provas. Para a leitura anterior do caso, veja a reportagem sobre a reação das autoridades e as posições de Trump.

Análise

Esta seção é a leitura editorial do Tendência News, que adota uma linha liberal.

Acusar de fraude sem provas um processo eleitoral que as instituições brasileiras validaram enfraquece a confiança no voto, qualquer que seja o lado que o faça. Do mesmo modo, a disputa sobre medidas contra um parlamentar deve ser resolvida dentro dos limites do devido processo legal e com decisões que possam ser contestadas nos recursos previstos. Declarações de um governo estrangeiro sobre a eleição de outro país não substituem o resultado das urnas, e o tema volta ao centro do debate sobre transparência: governos e assessores citados devem esclarecer publicamente o que fizeram.