A ponte Marcelino Machado, conhecida como ponte do Estreito dos Mosquitos, na BR-135, em São Luís (MA), entra na etapa mais visível da reconstrução custeada pelo governo federal. Segundo o Imirante, a estrutura do sentido de entrada na capital seria demolida por implosão neste domingo (1º de novembro de 2026), entre 10h e 16h, com bloqueios na rodovia no mesmo intervalo. A obra, contratada pelo DNIT por R$ 176,7 milhões, tem conclusão prevista para 2027.

O que acontece neste domingo

De acordo com o Imirante, a BR-135 será interditada em dois pontos durante a operação: o km 22, na saída de São Luís, e o km 40, em Bacabeira. Mais de 100 famílias que moram perto da ponte foram orientadas a deixar suas casas a partir das 8h, com abrigo numa quadra esportiva no bairro Estiva, na zona rural da capital. Os moradores só podem voltar depois de nova vistoria da Defesa Civil. A Defesa Civil Estadual enviará alertas por SMS a quem mandar o CEP para o número 40199, e a rede elétrica que corre ao lado da ponte foi desviada antes da operação.

A estrutura do sentido de saída de São Luís continua em operação depois da implosão. O DNIT afirma que não haverá sistema de "pare e siga" durante a reconstrução. As reportagens consultadas não detalham rotas alternativas para o dia da operação.

Por que a ponte será demolida

Segundo o Imirante e O Imparcial, que reproduzem informações do DNIT, as inspeções identificaram deslocamento do bloco de concreto da infraestrutura, corrosão da camisa metálica, fissuração elevada, armaduras expostas e oxidadas e perda de rigidez estrutural. O órgão concluiu que a alternativa adequada é demolir a estrutura e construir uma nova travessia.

A travessia é formada por duas estruturas paralelas: a do sentido de entrada em São Luís, com 459 metros, e a do sentido de saída, com 465 metros. A de entrada, que será demolida, é a original, de 1960, projetada para veículos de 24 toneladas (trem-tipo Classe 24); a norma atual para pontes novas considera 45 toneladas. Há divergência entre as fontes sobre a idade: uma reportagem de abril de 2026 do O Imparcial fala em ponte construída na década de 1970. A ponte é a principal ligação rodoviária com a Ilha de São Luís, usada para o abastecimento da capital e para o acesso ao complexo portuário.

Linha do tempo

  • 14 de abril de 2026: o DNIT interdita a estrutura do sentido de entrada após monitoramentos preventivos; a ponte vizinha passa a operar em pista simples com sentido duplo.
  • 11 de junho: o governador Carlos Brandão anuncia a nova ponte em vídeo com o secretário-executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro, e o diretor-geral do DNIT, Fabrício Galvão. Santoro citou o decreto de emergência do Maranhão e a situação de emergência do ministério e do DNIT como aceleradores do processo.
  • 28 e 31 de agosto: o contrato é assinado e publicado no Diário Oficial da União, segundo o Atlas Público.
  • 1º de setembro: início do prazo contratual de 12 meses.
  • 10 de setembro: começam as obras de reconstrução, conforme o DNIT.
  • 7 de outubro: o Imirante informa que a demolição, marcada para o dia 18, foi adiada porque faltavam autorizações: Bacabeira já havia autorizado; São Luís ainda precisava dar o aval para que o DNIT pedisse ao Exército a licença para uso de explosivos.
  • 1º de novembro: nova data da implosão, segundo o Imirante.

Contrato, valor e contratada

O Atlas Público registra o valor de R$ 176.748.915,07, no contrato nº 571/2026, com o Consórcio Ponte Estreito Maranhão, formado pela Construtora A. Gaspar S/A (líder) e pela Arteleste Construções Ltda. O escopo inclui projeto, demolição e reconstrução. Segundo o site, a contratação foi feita por dispensa de licitação, com base no art. 75, inciso VIII, da Lei nº 14.133/2021, que trata de emergência. Outras reportagens, como a do Piranot, descrevem a contratação como integrada, pelo Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC). As reportagens consultadas divergem, portanto, sobre o enquadramento jurídico. Nas matérias lidas não há registro de manifestação do TCU sobre este contrato, nem de resposta do consórcio. O Atlas Público também escreve "Estreito dos Coqueiros", nome que não aparece nas demais fontes.

O que vem a seguir

O DNIT diz que a demolição do restante da estrutura e a obra serão graduais e controladas ao longo dos próximos meses, e que a nova ponte deve ficar pronta em 2027, sem data exata. Após a implosão, a Defesa Civil fará nova vistoria antes de liberar o retorno dos moradores.

Análise

O caso mostra o custo de se deixar a infraestrutura chegar ao ponto em que só a emergência resolve. Uma ponte de 1960, projetada para 24 toneladas e responsável pelo abastecimento de uma capital, só ganha um R$ 176,7 milhões em contrato quando já está interditada. Pelo princípio da não agressão, o Estado que cobra tributos de todos assume a obrigação de cumprir bem as poucas tarefas que justificam essa cobrança, entre elas conservar a via que sustenta o comércio e a propriedade de quem a usa.

A dispensa de licitação por emergência, se for esse o enquadramento correto, é legal quando a lei a prevê, mas retira do processo a concorrência que ajuda a revelar preço e qualidade. Hayek chamou de problema do conhecimento a dificuldade de qualquer órgão central saber o que só o mercado revela; sem disputa, o contribuinte não tem como saber se R$ 176,7 milhões é o menor preço possível. A divergência entre as fontes sobre a modalidade, por si só, justifica que o DNIT publique o processo completo e as justificativas de preço.

Bastiat pediria que se olhasse também o que não se vê: o custo de meses de interdição, de pare e siga, de caminhões atrasados e de famílias desalojadas, tudo isso arcado por quem não decidiu adiar a manutenção. Responsabilidade, aqui, significa manutenção preventiva contínua, prazos cumpridos e prestação de contas ao pagador de impostos, seja qual for o governo de turno. Segurança jurídica também vale para quem mora perto: o poder público deve informar com antecedência e garantir o retorno dos moradores às suas propriedades.