O aplicativo ucraniano de alertas de ataque aéreo, o Air Alert (Alerta Aéreo), exibiu avisos falsos de risco nuclear, químico e de combates de rua na noite de domingo (1º de novembro de 2026). A Força Aérea da Ucrânia disse que a ferramenta foi comprometida por ação do inimigo e afirmou que não havia nenhuma ameaça de radiação. O caso é tratado como um provável ataque hacker; até aqui, nenhuma autoridade apresentou provas públicas de quem está por trás dele.
O que aconteceu
Segundo o G1, os alertas chegaram aos celulares de moradores de Kiev por volta das 22h50 no horário local (17h50 em Brasília). As notificações indicavam riscos químicos e nucleares, além de confrontos nas ruas, e recomendavam que as pessoas não saíssem de casa. Moradores publicaram nas redes capturas de tela dos avisos; segundo um deles, o texto veio em russo.
A agência BNO News registrou avisos de perigo nuclear e químico e de combates de rua em Kharkiv, combates de rua e fogo de artilharia em Zaporizhzhia, e avisos de radiação e combates de rua em Kiev. Segundo a UPI, um dos textos falsos mencionava o míssil russo Oreshnik e dizia que um alerta nuclear estava prestes a ser disparado em todo o país.
O que dizem as autoridades
- Administração Militar de Kiev: em canal no Telegram, afirmou que o app "provavelmente sofreu uma ação de influência inimiga" e escreveu: "Não há nenhuma ameaça radiológica! Mantenham a calma".
- Força Aérea: informou em seguida que a ferramenta havia sido hackeada e pediu que a população acompanhasse as atualizações em seu canal oficial.
- Ministério da Transformação Digital: segundo a ABC (Austrália), disse que o aplicativo estava fora de operação, mas que outros meios de alerta e as sirenes seguiam funcionando.
- Serviço Estatal de Emergência: segundo a UPI, afirmou que o sistema nacional de alerta funcionava normalmente e orientou a população a não clicar em links de terceiros, não repassar informações não verificadas e seguir as comunicações das autoridades locais. O cancelamento do alerta foi emitido por volta da meia-noite de segunda-feira (2).
- Centro Ucraniano de Combate à Desinformação: disse que as informações divulgadas "não correspondem à realidade".
Divergência sobre o alcance
Os veículos divergem sobre o tamanho do efeito. A UPI relata que sirenes de ataque aéreo foram acionadas em todo o território ucraniano. A BNO News diz que houve relatos de sirenes acionadas, mas que não estava claro o quanto isso se espalhou. A ABC fala em avisos exibidos "por um curto período" em Kiev e outras áreas e não menciona sirenes. O número de usuários afetados não foi divulgado.
Quem é acusado e o que ainda não se sabe
O Centro de Comunicações Estratégicas da Ucrânia (SPRAVDI) responsabilizou a Rússia em publicação na rede X, de acordo com a ABC. A Força Aérea, na declaração citada pela agência, falou apenas em "inimigo" e não nomeou o país. Não há, até a publicação deste texto, confirmação independente da autoria nem explicação técnica de como o sistema foi invadido. O governo russo não foi ouvido nas reportagens consultadas sobre essa acusação.
O Air Alert foi desenvolvido pela Ajax Systems e pela Stfalcon, com apoio do Ministério da Transformação Digital, segundo a BNO News. Nenhuma das fontes consultadas detalhou a falha explorada, e este texto não entra em hipóteses técnicas.
Rússia também relata ataque a app de alerta
De acordo com a agência TASS, citada pela ABC, o aplicativo do Ministério de Situações de Emergência da Rússia, que também avisa sobre ataques de drones, sofreu um "ataque cibernético massivo", e o órgão trabalha para restabelecê-lo. Não está claro se os dois episódios têm relação.
Contexto
Segundo a UPI, o ataque ocorreu horas depois de mísseis e drones russos atingirem infraestrutura de energia em quatro regiões (Dnipro, Vinnytsia, Jitomir e Khmelnitski), deixando centenas de milhares de pessoas sem eletricidade, conforme o presidente Volodymyr Zelensky. A ABC situa os alertas falsos minutos depois do fim de um cessar-fogo localizado. Alertas falsos em guerra são usados para espalhar pânico e desinformação: em 2023, hackers invadiram emissoras de rádio e TV russas e transmitiram alertas falsos de ataque nuclear, segundo a imprensa internacional da época.
O que fazer em caso de alerta suspeito
Segundo as orientações das autoridades ucranianas, o caminho é confirmar o aviso nos canais oficiais (Força Aérea, administração local e Serviço de Emergência), desconfiar de mensagens com links e não repassar capturas de tela sem checar a origem.



