A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil, depois de perder a eleição para Lula, gerou reações diplomáticas na Argentina, por onde ele passou a caminho dos EUA, e nos Estados Unidos. Veja o que se sabe. A versão do próprio senador está em outra reportagem.
Itamaraty e Argentina
Segundo a CartaCapital, que citou informação antecipada pelo UOL, o Ministério das Relações Exteriores convocou na quinta (29) a encarregada de negócios da embaixada argentina, María Emilia Cortés, para pedir informações sobre a atuação de autoridades argentinas no deslocamento de Flávio até os EUA. A conversa durou poucos minutos, teve caráter protocolar e, segundo a revista, o governo Lula não pretende transformar o episódio em crise com Javier Milei.
Na sexta (30), o chanceler argentino, Pablo Quirno, negou no X que o Brasil tenha pedido explicações: "Falso. Não houve nenhum pedido de explicações". Ele também afirmou que o Brasil retirou unilateralmente seu embaixador em agosto e pediu a retirada do argentino. Há, portanto, versões divergentes sobre o teor do contato.
Congresso dos EUA
Um grupo de 25 democratas da Câmara dos EUA, liderado pelas deputadas Sydney Kamlager-Dove e Dina Titus, enviou carta ao secretário de Estado Marco Rubio, segundo o g1 e o Politico. Eles perguntam se o Departamento de Estado, a Embaixada em Brasília ou outra agência ajudou Flávio a viajar, se o governo Trump sabia das investigações criminais contra ele no Brasil e como foi o processo de emissão de vistos para ele e a família. O g1 corrigiu informação anterior: a carta trata de vistos, não de green card.
Trump
Fontes ouvidas pela Reuters, em anonimato, disseram que o governo Trump não planeja apoiar a alegação de Flávio de ser o "líder do Brasil", embora possa mudar de ideia, segundo o Estadão. Trump afirmou que não se envolveria no caso, mas chamou a eleição brasileira de "uma vergonha" e disse que conversaria com Lula, com quem diz ter boa relação. Os EUA têm eleições legislativas em 3 de novembro.
O que não foi esclarecido
As fontes consultadas não trazem resposta dos governos americano ou de Flávio às perguntas da carta dos democratas. Investigações citadas contra o senador são alegações em andamento; ele não foi condenado.
Análise
Esta seção é a leitura editorial do Tendência News, que adota uma linha liberal.
A diplomacia funciona melhor quando é transparente e previsível. Perguntas legítimas sobre o papel de governos estrangeiros no deslocamento de um investigado devem ser respondidas com fatos, e não com versões conflitantes entre chancelarias. Ao mesmo tempo, o princípio vale nos dois sentidos: quem é investigado tem direito ao devido processo e à presunção de inocência, e a política externa não deve ser usada para fins partidários, por nenhum governo.



