O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou na noite de sexta-feira (30) o primeiro vídeo desde que deixou o Brasil e foi para os Estados Unidos, segundo o Poder360. Em transmissão ao vivo de cerca de 17 minutos no Instagram, ele deu a sua versão sobre a saída do país.
O que ele disse
De acordo com o Poder360, o senador afirmou que:
- Saída do Brasil: decidiu deixar o país com a mulher, Fernanda, sem informar aliados porque, segundo ele, revelar o plano aumentaria a chance de dar errado;
- Jair Bolsonaro: relatou a última visita ao pai, disse ter recebido dele um alerta depois de ser intimado a entregar os passaportes e criticou negociações que, na sua visão, usam a liberdade do ex-presidente como moeda de troca;
- Justiça: disse que saiu por temer novas medidas judiciais e afirmou, sem apresentar provas, ser alvo de perseguição política;
- Eleição: voltou a questionar o resultado da disputa presidencial e levantou suspeitas sobre o processo eleitoral, sem apresentar provas de fraude;
- Nova candidatura: declarou estar disposto a disputar de novo a Presidência, possivelmente antes de 2030.
Contexto
Flávio foi derrotado no domingo (25) no segundo turno por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que conquistou o quarto mandato com 51,77% dos votos válidos, segundo o Estadão. O candidato do PL disse não reconhecer a derrota. O resultado foi reconhecido pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques.
Reação no campo da direita
Também na sexta, a senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF) afirmou nas redes que o ex-presidente defende aliados como Tarcísio de Freitas (Republicanos), Nikolas Ferreira (PL-MG), Damares Alves e Silas Malafaia, e que não é hora de buscar "culpados" pela derrota, segundo O Globo.
As declarações de Flávio sobre perseguição e sobre o processo eleitoral são afirmações do senador; as fontes consultadas registram que ele não apresentou provas. O Tendência News tentará incluir a resposta de autoridades judiciais e eleitorais caso se manifestem.
Análise
Esta seção é a leitura editorial do Tendência News, que adota uma linha liberal.
Em um Estado de Direito, a disputa eleitoral se encerra nas urnas e na Justiça Eleitoral, e quem contesta o resultado tem o direito de fazê-lo pelos meios legais, com provas. Questionar o sistema sem evidências corrói a confiança nas instituições, o que vale para qualquer candidato e partido. Do mesmo modo, qualquer investigado tem direito à ampla defesa e ao devido processo, e as medidas judiciais devem seguir a lei, sem uso político.



