A missão Hera, da Agência Espacial Europeia (ESA), registrou uma imagem inédita do asteroide Didymos, a cerca de 60 quilômetros de distância, segundo a CNN Brasil. A fotografia mostra uma face do asteroide que ainda não tinha sido vista de perto, com grandes blocos rochosos, crateras e possíveis marcas na superfície.

O que a imagem mostra

Didymos tem aproximadamente 780 metros de diâmetro e faz parte de um sistema binário: ao seu redor orbita Dimorphos, uma lua de cerca de 151 metros. A nova imagem revela uma região diferente da que foi fotografada pela sonda Dart, da Nasa, pouco antes da colisão de 2022. Segundo Patrick Michel, pesquisador principal da Hera, a paisagem tem características que ainda precisam ser investigadas.

Os cientistas também querem saber se algumas das formações observadas na superfície foram influenciadas pelo material lançado ao espaço durante o impacto da Dart.

O teste de 2022

Em 26 de setembro de 2022, a Nasa lançou deliberadamente a espaçonave Dart contra Dimorphos, para verificar se o impacto de uma nave poderia alterar a trajetória de um asteroide, técnica que pode vir a ser usada na proteção da Terra contra ameaças espaciais. O experimento reduziu o período orbital de Dimorphos ao redor de Didymos em cerca de 33 minutos, o que mostrou que a ação humana pode alterar de forma mensurável o movimento de um corpo celeste. Didymos e Dimorphos não representam risco para a Terra; foram escolhidos justamente por permitirem o teste com segurança.

Qual é o papel da Hera

A Hera foi lançada em 7 de outubro de 2024 para fazer o primeiro levantamento detalhado de perto de um sistema binário de asteroides e investigar os efeitos do impacto da Dart. Segundo a ESA, a missão busca responder às perguntas deixadas pelo teste da Nasa e tornar a deflexão de asteroides por impacto cinético uma técnica bem compreendida e repetível.

A sonda leva dois CubeSats, Milani e Juventas. O Milani vai analisar a composição mineral de Dimorphos, e o Juventas fará a primeira sondagem por radar no interior de um asteroide. Ambos pousarão na superfície ao fim de suas missões. A Hera também deve medir a massa de Dimorphos, sua órbita alterada e estudar a cratera deixada pela Dart.

O que vem a seguir

A ESA informou que a aproximação final ao sistema dura cerca de três semanas e serve também para testar os sistemas de navegação da sonda. Uma página da agência sobre a dinâmica de voo indica que, em novembro e dezembro, a Hera passa por uma fase de caracterização inicial, com medições de referência a cerca de 25 a 30 km. O levantamento pós-impacto completo está previsto para 2026 e 2027. As reportagens consultadas não detalham o cronograma exato das próximas etapas.