A pausa de saques e depósitos de criptomoedas no Nubank e no Mercado Pago, noticiada pelo Tendência News nesta sexta-feira (6), segue sem prazo para terminar nas reportagens consultadas. As duas empresas atribuem o problema a fornecedores externos e não revelaram quais são. O que mudou ao longo do dia foi o contexto: a Folha, o Valor Investe e o Estadão trouxeram novos elementos sobre quem pode estar por trás da falha e sobre o que o cliente pode fazer enquanto o serviço não volta.

O que continua valendo

  • Nubank: saques e depósitos de cripto estão indisponíveis por "instabilidade em um fornecedor externo de dados". O banco diz que a ocorrência não é na sua infraestrutura, que os ativos seguem protegidos e que os demais produtos de cripto funcionam. Não há previsão de retomada.
  • Mercado Pago: parte das transferências para carteiras externas foi bloqueada preventivamente por um incidente em um fornecedor de monitoramento de risco e prevenção à lavagem de dinheiro. Depósitos podem atrasar e serão creditados automaticamente quando o serviço voltar. Compra e venda seguem normais.
  • Nenhuma das duas empresas informou o nome do fornecedor afetado, e não há confirmação de que os dois casos tenham a mesma origem.

Por que se fala da Chainalysis

Segundo o Valor Investe, circulam relatos de possível ataque hacker ao prestador de serviço, mas a informação não foi confirmada pelas empresas. O que está confirmado é outro fato: a Chainalysis, empresa de análise de transações em blockchain, informou ter sofrido um ataque em 30 de outubro, com acesso a sistemas internos e exposição de algumas informações de clientes, incluindo credenciais. Por segurança, ela tirou do ar ferramentas usadas por instituições financeiras, como o KYT (Know Your Transaction), que avalia o risco de transferências, e verificadores de endereços de carteiras. Nesta sexta, a empresa anunciou a retomada gradual desses serviços.

A ligação com Nubank e Mercado Pago, porém, é só hipótese. Rocelo Lopes, fundador da Truther, disse à Folha que uma falha em empresas desse tipo poderia levar instituições a suspender saques e depósitos para evitar movimentações envolvendo carteiras possivelmente comprometidas. Nenhum dos dois bancos confirmou usar a Chainalysis, e a descrição do Mercado Pago (monitoramento de risco e antilavagem) é compatível com esse tipo de serviço, mas não identifica a empresa.

Quem guarda os ativos

Os avisos citados pela imprensa apontam que a custódia do Nubank é feita pela Fireblocks, e a do Mercado Pago, pela Paxos, segundo o Estadão. A Fireblocks afirmou à Folha que a interrupção não resulta de problema em sua plataforma e que a infraestrutura opera normalmente. Ou seja, o gargalo descrito pelas empresas estaria na etapa de verificação das transações, não na guarda das moedas.

Semana de incidentes no setor

O episódio ocorre após uma sequência de ataques. Segundo o Estadão, a Binance sofreu em 29 de outubro um roubo estimado em US$ 6,3 bilhões, atribuído pela Chainalysis ao grupo TraderTraitor, associado à Coreia do Norte; a Coreia do Norte nega envolvimento, de acordo com a CNN Brasil. Em 2 de novembro, o Mercado Bitcoin informou um ataque envolvendo cerca de US$ 49 milhões, e disse que ressarcirá os clientes com recursos próprios. A corretora planeja reabrir o acesso às contas de forma gradual a partir de segunda-feira (9), primeiro só para consulta de saldos e extratos. Não há informação de que esses ataques tenham relação com a pausa no Nubank e no Mercado Pago.

O que o cliente pode fazer

  • Não há ação necessária para recuperar depósitos: o Mercado Pago diz que os valores serão creditados automaticamente. Evite refazer transferências repetidas, que podem gerar duplicidade quando o sistema normalizar.
  • Acompanhe só os canais oficiais: avisos no aplicativo e perfis verificados das empresas. Situações de instabilidade costumam ser aproveitadas por golpistas que mandam mensagens falsas oferecendo "liberação" ou "ressarcimento". Nenhum banco pede senha, código de verificação ou frase de recuperação de carteira por mensagem.
  • Desconfie de links recebidos: acesse o app diretamente, sem clicar em links de SMS, e-mail ou redes sociais.
  • Compra e venda seguem disponíveis, segundo as duas empresas, mas quem planeja mover valores para carteiras próprias precisa esperar a normalização.
  • Reclamações: o cliente que tiver prejuízo comprovado pode registrar o caso na central da empresa e, se não for atendido, no Banco Central ou no Procon.

O que ainda falta saber

Faltam informações básicas: quando o serviço volta, qual é o fornecedor de cada empresa, se é o mesmo e se houve exposição de dados de clientes. O Tendência News atualizará esta reportagem se as empresas divulgarem novos comunicados.