A chegada do Semaclique às farmácias nesta sexta-feira (6) é mais um passo da corrida de medicamentos de classe GLP-1 que se abriu no Brasil com o fim da patente da semaglutida, em março de 2026. O princípio ativo é o do Ozempic e do Wegovy, da dinamarquesa Novo Nordisk.
A linha do tempo das aprovações
De acordo com o G1, o Ozivy, da EMS, foi aprovado em maio como a primeira versão sintética da semaglutida autorizada no país, para diabetes tipo 2. Em julho, a Anvisa autorizou outras cinco canetas, todas para diabetes tipo 2: Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema. Em agosto, vieram o primeiro genérico de semaglutida, também da EMS, e o Semaclique, registrado como similar pela Germed, do mesmo grupo.
Em 29 de outubro, a agência aprovou mais cinco canetas: Aribet, Embeltah e Sevema, para diabetes, e Lyrza e Wylovol, para obesidade. Com isso, chegou a 20 o número de registros da classe concedidos em 2026. Em 4 de novembro, segundo o NeoFeed, a Anvisa aprovou ainda o registro do Wegovy em comprimido, que a Novo Nordisk prevê levar às farmácias no primeiro trimestre de 2027.
Registro não é prateleira
O G1 lembra que a aprovação sanitária não significa que o produto já esteja à venda: faltam a definição de preço e a distribuição. Mais marcas podem ampliar a concorrência, mas isso, por si só, não garante queda no custo do tratamento.
Números do mercado
Segundo o NeoFeed, que cita dados da consultoria Iqvia, o Ozivy ocupa a segunda posição entre os medicamentos mais vendidos do Brasil, atrás apenas do Mounjaro, e superou o Ozempic. Hoje vende cerca de 400 mil unidades por mês e deve passar de 500 mil até o fim do ano. O mercado de GLP-1 deve faturar perto de R$ 19 bilhões no país em 2026, com alta de 83% em valor e 70% em unidades nos últimos 12 meses.
Em setembro, a Hypera lançou o Semavy, com a marca Mantecorp, e a Sandoz prevê lançar o Owozy, distribuído pela Biolab, ainda no quarto trimestre. A Novo Nordisk, por sua vez, antecipou-se à queda da patente com a caneta Poviztra, comercializada pela Eurofarma. Para o diretor executivo da EMS, Marcelo Neri, novos concorrentes devem chegar principalmente em 2027, acompanhando o posicionamento de preço da empresa.
O que vem a seguir: SUS
O NeoFeed apurou que a EMS pretende intensificar conversas com o Ministério da Saúde para fornecer o medicamento ao SUS, para pacientes com obesidade grave. Durante a campanha eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito, prometeu distribuir a caneta emagrecedora na rede pública, sem detalhar o caminho; a incorporação, segundo a publicação, leva pelo menos um ano.
Enquanto isso, o uso de qualquer caneta depende de prescrição médica e acompanhamento. Veja também a cobertura do lançamento do Semaclique.



