O Ministério da Saúde autorizou, em reunião realizada na quarta-feira (4), a aquisição de até 20 mil doses da vacina contra a mpox. A compra será feita por meio do Fundo Rotatório da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), em parceria com a organização, e tem como objetivo reforçar o estoque estratégico do imunizante e a capacidade de resposta do Sistema Único de Saúde (SUS).
Por que a compra foi autorizada
Segundo o ministério, a aquisição tem caráter preventivo e estratégico: permite recompor estoques e manter a resposta do SUS diante de eventuais mudanças no cenário epidemiológico. A pasta afirma que, apesar da redução de casos, a ocorrência da doença mantém a necessidade de vigilância e de vacinas para atender às demandas dos estados.
O Brasil confirmou 665 casos de mpox em 2026. O número é 94% menor que o de 2022, quando o país contabilizou mais de 10 mil ocorrências, no auge da disseminação global do vírus.
Remessa extra para o Rio
A decisão veio em meio à alta recente de casos no Rio de Janeiro. Segundo o g1, a capital fluminense confirmou mais de 70 infecções nos últimos dois meses, sete vezes o registrado no mesmo período do ano passado. Dados da Secretaria estadual de Saúde citados pelo jornal O Globo apontam 269 casos confirmados no estado em 2026 até esta semana, sem óbitos, contra 119 em todo o ano de 2025.
Na quarta-feira, o ministério também enviou mais 2 mil doses ao estado. Com a nova remessa, o total destinado ao Rio em 2026 chegou a 3,5 mil, e novos envios poderão ocorrer conforme a necessidade. A distribuição aos municípios é coordenada pela Secretaria estadual, e a aplicação fica com as secretarias municipais. Até 2 de novembro, o estado havia aplicado 953 doses neste ano.
Quem pode se vacinar
A estratégia nacional prioriza pessoas vivendo com HIV/aids com contagem de linfócitos CD4 inferior a 100 células/mm³, grupo com maior risco de desenvolver formas graves da doença. O esquema tem duas doses, com 28 dias de intervalo. A orientação é procurar o Centro de Referência onde a pessoa já faz acompanhamento, para cadastro e agendamento.
Podem receber doses remanescentes:
- pessoas vivendo com HIV/aids com CD4 inferior a 200 células/mm³;
- usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP);
- profissionais de laboratório que manipulam amostras de mpox.
Vacina depois do contato
A vacina também pode ser usada após a exposição ao vírus. A recomendação é aplicar preferencialmente nos primeiros quatro dias depois do contato. Ela pode ser dada em até 14 dias, mas, nesse intervalo, a efetividade para evitar a infecção é menor, embora ainda possa ajudar a reduzir o risco de evolução para formas graves.
Vigilância
O monitoramento é feito pelo ministério em conjunto com secretarias estaduais e municipais e inclui notificação e investigação de casos suspeitos, diagnóstico laboratorial, isolamento de infectados e orientação de contatos. Quem tiver lesões ou erupções na pele deve procurar um serviço de saúde para avaliação.



