Os casos de mpox voltaram a chamar a atenção das autoridades de saúde. No Rio de Janeiro, a Secretaria estadual contabiliza 269 casos confirmados em 2026, sem óbitos, contra 119 em todo o ano de 2025. No Distrito Federal, foram oito confirmações apenas em outubro, e 23 no ano até a primeira semana de novembro.

O que dizem os números

No DF, o total de 2026 se aproxima dos 25 casos de 2025. Desde 2022, a capital federal acumula 425 confirmações. A Secretaria de Saúde (SES-DF) investiga a origem dos casos recentes, e o Laboratório Central (Lacen-DF) faz análises para identificar a cepa em circulação, que ainda não é conhecida.

Em todo o país, o Ministério da Saúde contabiliza 665 casos em 2026, 94% menos que os mais de 10 mil de 2022.

Surto ou não?

Os especialistas ouvidos pela imprensa pedem calma. O infectologista Rafael Galliez, do Instituto Estadual de Infectologia São Sebastião e professor da UFRJ, afirmou ao O Globo que o número de casos até agora não configura surto e que "a questão não é para alarme". Segundo ele, desde o fim do ano passado circulam no Rio mpox dos clados 1B e 2B.

No DF, a infectologista Eveline Fernandes Nascimento, do Ceub, disse ao Correio Braziliense que oito casos em um mês representam um sinal de alerta para a vigilância, pois podem indicar a manutenção da circulação do vírus, mas não caracterizam, isoladamente, surto ou transmissão descontrolada.

Escola no Rio emite alerta

O aumento levou um colégio particular da Zona Sul do Rio a enviar comunicado aos pais, informando reforço na limpeza de superfícies e banheiros, orientação para não compartilhar objetos pessoais e pedido para que alunos com sintomas fiquem em casa e procurem atendimento.

Sintomas e transmissão

A mpox começa, em geral, com febre, dor de cabeça, dores no corpo, cansaço e aumento dos gânglios (ínguas). Depois surgem lesões na pele, que passam de manchas a bolhas, depois a pústulas e, por fim, crostas. As lesões podem ser dolorosas, inclusive nas regiões genital, anal e na boca. A aparência isolada não confirma o diagnóstico; é preciso coletar material da lesão, e a doença pode ser confundida com outras, como a varicela.

A transmissão se dá principalmente por contato direto com lesões, secreções ou mucosas de pessoas infectadas, inclusive por beijo e durante relações sexuais, embora a mpox não seja classificada como infecção sexualmente transmissível clássica. A transmissão por gotículas respiratórias é possível, mas exige contato próximo e prolongado. O quadro dura de duas a quatro semanas, e o risco de contágio praticamente desaparece quando todas as crostas caem e a pele cicatriza.

Gravidade e tratamento

Para a população em geral o risco é considerado baixo, mas a doença pode levar a complicações graves e à morte, sobretudo em pessoas com imunidade comprometida, como pacientes com HIV sem tratamento adequado, transplantados e pessoas em tratamento contra câncer. Segundo a Sociedade Brasileira de Infectologia, a letalidade nos surtos globais recentes ficou geralmente abaixo de 1%. O tratamento é de suporte (controle de dor e febre e cuidado com as lesões); em casos graves pode ser usado o antiviral tecovirimat.

Quando procurar atendimento

Quem tiver lesões ou erupções na pele, ou tiver tido contato próximo com caso suspeito ou confirmado, deve procurar uma unidade de saúde. A vacina é indicada a grupos de maior risco e pode ser aplicada após a exposição; o Ministério da Saúde acaba de autorizar a compra de até 20 mil doses para reforçar os estoques. No DF, segundo a gerente da Rede de Frio, o governo local aguarda o reabastecimento de vacinas.