A espaçonave de cerca de 1.450 quilos que deve cair na Terra nesta quarta-feira (4) é o Observatório Neil Gehrels Swift, da NASA. Segundo a agência espacial americana, a Força Espacial dos EUA previu, na segunda-feira (2), que o telescópio reentre na atmosfera por volta das 3h30 no horário da costa leste dos EUA de 4 de novembro, o que equivale a cerca de 5h30 em Brasília. A margem de incerteza é de 11 horas para mais ou para menos, então o momento real pode ser bem diferente. Até a publicação deste texto, não havia confirmação oficial de que a reentrada já tenha acontecido; a NASA e a Força Espacial dizem que seguem monitorando e atualizando as previsões.

O que se sabe sobre a queda

De acordo com o blog da missão na NASA, o Swift tem cerca de 3.200 libras (aproximadamente 1.450 kg). A agência espera que a maior parte da estrutura se desintegre no atrito com a atmosfera, mas admite que alguns componentes devem sobreviver e chegar à superfície. O cientista-chefe da missão, Brad Cenko, citou ao relatar o caso peças de tungstênio, metal mais denso que o chumbo, e partes de espelhos como candidatas a resistir ao calor, segundo reportagem da CBS News. Em geral, os destroços sobreviventes devem cair no oceano, que ocupa a maior parte da faixa sobrevoada.

Como a órbita do Swift tem baixa inclinação, qualquer fragmento só pode cair entre 20,6 graus de latitude sul e 20,6 graus de latitude norte. A localização exata dependerá do instante da reentrada e, por enquanto, não é conhecida. A faixa inclui partes da África, Austrália, Índia, Sudeste Asiático e das Américas Central e do Sul, conforme relatou a Associated Press.

Qual é o risco

A NASA estima em cerca de 1 em 2.100 a chance de alguém na Terra ser ferido. Na avaliação da porta-voz Elizabeth Shaw, citada pela Spaceflight Now e pela CBS, o risco de dano a alguém "é improvável". O número vale para a população mundial dentro da faixa orbital, não para um país ou cidade específica. Um texto à parte sobre o que a faixa significa para o Brasil está em Telescópio Swift e o Brasil: o que a faixa de queda significa.

Por que o Swift está caindo

O Swift não tem propulsores para corrigir a própria órbita. A intensa atividade solar dos últimos anos aquece e expande a alta atmosfera, o que aumenta o arrasto sobre satélites em órbita baixa e acelera a perda de altitude, segundo a CBS News. A previsão original era que o observatório chegasse a cerca de 299 km de altitude em outubro, descendo cerca de 8 km por mês no ritmo inicial, que tenderia a acelerar nas camadas mais densas.

A tentativa de resgate que não deu certo

A NASA pagou US$ 30 milhões à Katalyst Space Technologies por uma missão inédita: uma espaçonave robótica, a LINK, lançada em julho por um foguete Pegasus XL, deveria se aproximar do Swift, capturá-lo e elevar a órbita em cerca de 160 km. A LINK entrou em giro descontrolado semanas depois do lançamento e, mesmo com a rotação reduzida, manteve problemas de apontamento. A captura foi cancelada em 19 de agosto. O administrador da NASA, Jared Isaacman, disse na ocasião: "Este não é o resultado pelo qual trabalhávamos, mas não muda o motivo de a missão valer a tentativa" (tradução livre). O presidente da Katalyst, Ghonhee Lee, afirmou que a empresa "já aprendeu muito".

Segundo a Spaceflight Now, a equipe da Penn State reduziu quase toda a ciência entre fevereiro e agosto para tentar manter o satélite mais alto. A última observação foi em 20 de outubro; depois, o Swift entrou em modo de segurança e a Penn State enviou um comando que encerrou na prática a missão.

Quase 22 anos de ciência

Lançado em 20 de novembro de 2004, o Swift foi projetado para dois anos de operação e funcionou mais de dez vezes isso. Seus três instrumentos, um detector de raios gama, um telescópio de raios X e um telescópio de ultravioleta e óptico, observaram mais de 2.000 explosões de raios gama e mais de 1.400 supernovas, segundo a Spaceflight Now. O arquivo reúne cerca de 12 terabytes de dados, citados em aproximadamente 7.000 artigos científicos. Entre os destaques estão a primeira luz remanescente de uma explosão curta de raios gama, em 2005, e a luz ultravioleta registrada em 2017 após a fusão de duas estrelas de nêutrons detectada também por ondas gravitacionais. O observatório leva o nome de Neil Gehrels, seu primeiro investigador principal, morto em 2017.

A grande marca do Swift era girar rapidamente para apontar a eventos cósmicos fugazes, papel de "primeiro socorrista" para telescópios como Hubble e James Webb, segundo a AP. O líder da equipe de controle, John Nousek, da Penn State, resumiu: "Pelo menos na órbita baixa da Terra, o que sobe tem de descer" (tradução livre).

O que vem a seguir

A NASA e a Força Espacial devem divulgar novas previsões e, depois, a confirmação da reentrada. A atualização oficial está no blog da missão da NASA. Este texto será atualizado se houver confirmação ou mudança na previsão.