A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira (4) a versão em comprimido do Wegovy, medicamento da Novo Nordisk à base de semaglutida. É o primeiro remédio oral da classe dos agonistas de GLP-1 liberado no Brasil para o tratamento da obesidade e do sobrepeso. A autorização consta de resolução publicada no Diário Oficial da União. A empresa havia protocolado o pedido em 30 de janeiro deste ano.
O que foi aprovado
Até agora, quem usava semaglutida para emagrecer dependia da caneta de aplicação semanal. A novidade é um comprimido tomado uma vez ao dia, com dose de manutenção de 25 mg. Segundo o Brasil 247, o tratamento começa com 1,5 mg e passa por 4 mg e 9 mg antes de chegar aos 25 mg.
De acordo com a mesma reportagem, a indicação é para adultos com obesidade (IMC igual ou superior a 30 kg/m²) ou com sobrepeso (IMC de 27 a menos de 30 kg/m²) que tenham pelo menos uma comorbidade. O uso deve vir acompanhado de plano alimentar com restrição calórica e de atividade física regular. A versão injetável do Wegovy também é indicada a adolescentes a partir de 12 anos, o que não se aplica ao comprimido.
Já existe no país outra semaglutida oral, o Rybelsus, também da Novo Nordisk, mas ele é indicado para o diabetes tipo 2, e não para a obesidade.
Como o comprimido funciona
A semaglutida imita o GLP-1, hormônio que o intestino libera depois das refeições. Ele sinaliza ao cérebro que o corpo já recebeu comida, o que reduz a fome, e faz o estômago esvaziar mais devagar, prolongando a saciedade. Em nota, a Anvisa disse que a substância atua na regulação do apetite e da ingestão alimentar e que a nova versão traz mais flexibilidade terapêutica a pacientes e profissionais de saúde, inclusive com a possibilidade de transição entre as formas oral e injetável quando clinicamente indicado.
Pela boca, o caminho é mais difícil: boa parte da substância é destruída no estômago antes de chegar ao sangue. É por isso que a dose oral diária (25 mg) é muito maior que a da caneta de manutenção (2,4 mg por semana). Conforme o Brasil 247, o comprimido deve ser tomado pela manhã, em jejum e com pouca água, esperando-se ao menos 30 minutos antes de comer, beber ou tomar outros remédios.
O que mostrou o estudo
A aprovação se apoia no estudo OASIS 4, publicado na revista The New England Journal of Medicine. Nele, os participantes que tomaram o comprimido perderam em média 13,6% do peso em 64 semanas, contra 2,2% no grupo que recebeu placebo. Segundo a reportagem do Brasil 247, um terço dos participantes perdeu 20% ou mais do peso. Os autores afirmam que o resultado se aproxima do observado com a caneta, e a fabricante diz que é a primeira vez que um comprimido entrega eficácia equivalente à de uma injeção contra o excesso de peso. Os veículos consultados não detalham efeitos colaterais; as informações de segurança e as contraindicações constam da bula aprovada pela Anvisa.
Preço e quando chega às farmácias
O preço ainda não foi definido no Brasil. Antes de chegar às prateleiras, o medicamento precisa ter o valor máximo fixado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). O Brasil 247 cita, como referência, que nos Estados Unidos a dose de 25 mg custa cerca de US$ 299 por mês (aproximadamente R$ 1,6 mil), mas o valor americano não define o preço nacional.
Há divergência sobre o prazo. A Novo Nordisk disse, segundo G1 e Olhar Digital, que o comprimido deve chegar às farmácias no próximo trimestre; o Brasil 247 fala em primeiro semestre de 2027. A empresa não confirmou uma data exata.
O que vem a seguir
A Anvisa também analisa a orforglipron, terapia oral diária da Eli Lilly, que ainda aguarda parecer, segundo o Brasil 247. Quem usa ou pretende usar a semaglutida deve procurar um médico: a indicação, a dose e o acompanhamento dependem de avaliação individual.



