Daniel Vorcaro era o principal acionista do Banco Master, instituição que virou o centro de um dos maiores escândalos financeiros do país. Ele está preso e é investigado por fraudes financeiras bilionárias. O caso também respingou em políticos e autoridades de diferentes partidos, o que explica por que seu nome aparece tanto nas buscas.

O que aconteceu

A Polícia Federal lançou em 18 de novembro de 2025 a operação Compliance Zero. No mesmo dia, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master. Vorcaro havia sido preso um dia antes, em um aeroporto, segundo relatos, quando tentava deixar o país em um jato particular.

Segundo a PF, o banco vendia produtos de investimento com promessa de alta rentabilidade, lastreados em ativos que não tinha ou em garantias supervalorizadas, num esquema que funcionaria como pirâmide: o dinheiro dos novos clientes pagava os antigos. A PF estima que o prejuízo possa chegar a R$ 12 bilhões e atingir ao menos 1,6 milhão de pessoas.

O papel do BRB

O Banco de Brasília (BRB), controlado pelo governo do Distrito Federal, entrou na história quando o Master enfrentou suspeitas sobre suas operações de crédito e o BRB foi o caminho de uma tentativa de salvamento, por meio de uma compra. Segundo a Agência Pública, o negócio envolveu o senador Ciro Nogueira, o presidente do partido Antônio Rueda e o então governador do DF, Ibaneis Rocha. O BRB deve provisionar mais de R$ 5 bilhões por causa das operações com o Master.

As investigações

A PF descreve quatro núcleos: fraude financeira, corrupção de servidores do Banco Central, lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada e intimidação ou obstrução, incluindo suposta vigilância ilegal. A operação teve várias fases, e entre os alvos estiveram políticos de partidos diferentes. No STF, a relatoria passou do ministro Dias Toffoli para André Mendonça em fevereiro. Mensagens atribuídas a Vorcaro envolvendo ministros da Corte e contratos com escritórios de advocacia seguem como alegações sob análise.

Vorcaro fez propostas de delação premiada que foram recusadas pela PF e pela Procuradoria-Geral da República por falta de fatos novos. Outros investigados fecharam acordos.

Onde entra Flávio Bolsonaro

Um inquérito separado, que corre no STF sob relatoria de Mendonça, apura repasses de Vorcaro para o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. O senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, é um dos investigados. Ele confirma ter pedido ajuda financeira, mas nega irregularidades. Os detalhes estão em nossa matéria sobre o caso Dark Horse.

A Pública também lembra que, em 2022, o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, foi o sexto maior doador das eleições, com R$ 3 milhões para a campanha de Jair Bolsonaro e R$ 2 milhões para Tarcísio de Freitas. Zettel está preso na mesma investigação. Doações eleitorais legais, por si só, não indicam crime.

Análise: um alerta sobre bancos, estatais e poder

Esta seção é a leitura editorial do Tendência News, que adota uma linha liberal.

O caso Master mostra o custo da proximidade entre dinheiro, bancos estatais e poder político. Quando um banco estatal como o BRB é usado para tentar salvar uma instituição privada em apuros, o risco acaba recaindo sobre o contribuinte. A lição que a visão liberal tira disso é a de sempre: fiscalização independente e rigorosa do sistema financeiro, menos espaço para estatais como canal de favores e responsabilização individual de quem violou a lei, sem poupar nenhum partido.