O Flamengo formalizou na Conmebol um protesto contra a escalação do zagueiro Marcos Rojo, do Estudiantes, no jogo de volta da semifinal da Copa Libertadores, disputado no Maracanã. O jogador atuou com autorização do Tribunal Arbitral do Esporte (CAS), depois de a própria Conmebol ter recusado sua inscrição. O Estudiantes avançou à final nos pênaltis e enfrentará o Palmeiras. A entidade abriu um processo disciplinar e ainda não decidiu.

Como o caso começou

Segundo o Estadão, Rojo estava no Racing e foi contratado pelo Estudiantes no início de outubro. O clube argentino quis incluí-lo na lista da Libertadores no lugar do meio-campista uruguaio Gabriel Neves, lesionado. A Conmebol recusou a inscrição: o prazo de recuperação de Neves não se enquadrava nos critérios do regulamento para a substituição por outro atleta.

Com isso, Rojo ficou fora do primeiro jogo, em La Plata. O Estudiantes recorreu ao CAS e obteve uma medida cautelar favorável, que permitiu a presença do zagueiro no Maracanã. Uma cautelar é uma decisão provisória, tomada antes do julgamento definitivo do mérito.

O que o Flamengo pede

O protesto do Flamengo, antecipado pelo jornalista argentino Germán Garcia Grova e confirmado pelo Estadão, abre um processo disciplinar na Conmebol. O código disciplinar prevê, para escalação irregular, a derrota por 3 a 0 do time responsável, além de multa de US$ 5 mil (cerca de R$ 24,8 mil) e sanções ao atleta. Para que a análise aconteça, é obrigatória uma manifestação oficial do adversário em até 24 horas, e foi o que o Flamengo fez.

A Conmebol não comenta processos antes do desfecho. A posição do Estudiantes sobre o protesto não constava no material consultado; o clube sustenta, pelo que o caso mostra, que a presença de Rojo foi amparada por decisão do CAS.

O jogo

A partida no Maracanã terminou novamente sem gols, e o Estudiantes se classificou por 3 a 2 nos pênaltis. O goleiro Fernando Muslera defendeu as cobranças de Jorginho, Lucas Paquetá e Bruno Henrique. A final será contra o Palmeiras, em 28 de novembro, no Estádio Centenário, em Montevidéu.

O que está em jogo

O ponto central é jurídico: a cautelar do CAS autoriza o jogador a atuar, mas a Conmebol, que aplica o regulamento da competição, pode avaliar se a escalação violou as regras. Se o processo terminasse em derrota por 3 a 0, o Estudiantes perderia a vaga na final. Não há prazo informado para a decisão, e o resultado é incerto.

Análise

Esta seção é a leitura editorial do Tendência News, que adota uma linha liberal.

O episódio mostra por que regras claras e previsíveis valem mais que soluções improvisadas. Quando uma entidade com poder de regulamentar a competição recusa uma inscrição e um tribunal arbitral a contraria por medida provisória, quem paga a conta é a segurança jurídica: clubes planejam elencos e estratégias apostando que a regra vale para todos. O protesto do Flamengo é um instrumento previsto no regulamento, e usá-lo não é, em si, antiesportivo. O que se espera da Conmebol é uma decisão fundamentada, rápida e pública, que sirva de precedente, e não uma resolução opaca que alimente a suspeita de que o regulamento se aplica conforme a conveniência.