O deputado federal André Janones (Rede-MG) anunciou na quinta-feira (22) e iniciou na sexta (23) uma transmissão ao vivo de 24 horas, logo após o debate da TV Globo entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Pelo anúncio, a live começaria às 23h05 de sexta, na saída do debate, e terminaria à mesma hora de sábado (24), véspera do segundo turno. Segundo o SBT News, ela foi transmitida no canal oficial de Lula no YouTube.
O que Janones pediu
Em vídeo, Janones chamou integrantes do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, que ele administra, para “cumprir missões”. Disse que os participantes deveriam “buscar gente para votar” e “levar informações verdadeiras”. Em áudio enviado ao canal, pediu que os apoiadores assistissem ao menos ao início da transmissão e disse que quem pudesse ficar na madrugada seria bem-vindo. Chamou o evento de “a live da virada” e disse que a mobilização garantiria a reeleição de Lula, previsão que é dele e não se apoia em pesquisa citada pelas reportagens.
As “missões” do canal costumam consistir em pedir que seguidores compartilhem mensagens e impulsionem publicações nas redes sociais, de acordo com o SBT News.
Tamanho do canal
O Poder360 informou que o grupo tinha mais de 8 milhões de pessoas no anúncio. O SBT News registrou que o canal chegou a 10 milhões de inscritos às 17h50 de sexta, depois de cerca de 3,3 milhões em 12 de outubro e mais de 7 milhões na quarta (21). Os números mudam rapidamente e variam conforme a fonte e o horário.
Contexto judicial
O canal é alvo de disputa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tema detalhado em outro texto do Tendência News. Na sexta, Janones escreveu no X que o canal poderia sair do ar por ordem do TSE; a reportagem do Brasil 247 que registra a declaração afirma que a ordem não estava confirmada. No vídeo do anúncio, ele afirmou que “podem tentar censurar”, sem dizer a quem se referia.
As reportagens consultadas não trazem, até a publicação, manifestação da campanha de Flávio Bolsonaro sobre a live.
Análise
Esta seção é a leitura editorial do Tendência News, que adota uma linha liberal.
Mobilização voluntária de eleitores é parte legítima da democracia, e vale para o campo de Lula e para o de Flávio. O que preocupa é o discurso de que o pleito decide entre “democracia e ditadura”, que rebaixa o adversário a ameaça e dificulta o convencimento. Outro ponto é a transparência: um parlamentar que lidera um canal de milhões e organiza ações coordenadas deve deixar claro se e como ele se vincula à campanha, para que as regras de gastos e propaganda valham para todos. A Justiça Eleitoral, por sua vez, deve agir com critérios previsíveis e conhecidos antes da disputa, não a poucas horas da votação.