O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o presidente nacional do PSB, João Campos, ex-prefeito do Recife, trocaram críticas públicas depois de um ato político na capital pernambucana, a poucos dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25).

O ato no Recife

Na noite de quinta-feira (22), em Boa Viagem, Zona Sul do Recife, Nikolas participou do "Bloquinho 22", evento de apoiadores do candidato Flávio Bolsonaro (PL). Segundo reportagem do Diario de Pernambuco, ele previu "a maior votação pra direita da história" no Nordeste. A organização estimou público de mais de 100 mil pessoas; Nikolas afirmou que foi a maior manifestação da região. Os dois números são declarações dos envolvidos, sem checagem independente nas reportagens consultadas.

Ao falar de João Campos, que perdeu a disputa pelo governo de Pernambuco no primeiro turno (a governadora Raquel Lyra, do PSD, foi reeleita), o deputado o ironizou como desempregado e disse: "Recife e Pernambuco, dê um tchau pra João Campos". Questionado sobre o Galo da Madrugada, tradicional bloco do carnaval do Recife, perguntou "Que que é isso?" e disse: "Eu não conheço não".

A resposta de João Campos

Na sexta-feira (23), Campos respondeu. Disse que "o Nordeste precisa de gente que trabalhe de verdade" e acusou Nikolas de disseminar desinformação e discurso de ódio contra os nordestinos. Também o convidou: "vem pro Galo da Madrugada no Carnaval".

Nas reportagens consultadas, não há réplica direta de Nikolas à resposta de Campos; a única manifestação dele sobre o tema registrada é a fala feita durante o ato. A reportagem não localizou, até aqui, posicionamento posterior do deputado.

Contexto

O embate acontece na reta final do segundo turno, em que o Nordeste é uma região disputada pelas campanhas. Sobre o Galo da Madrugada, o Tendência News já publicou o que se sabe da edição de 2027.

Análise

Esta seção é a leitura editorial do Tendência News, que adota uma linha liberal.

A disputa eleitoral é o lugar legítimo de crítica dura a adversários, e a liberdade de expressão protege tanto o tom do deputado quanto a resposta do ex-prefeito. Cabe ao eleitor, não a nós, julgar o mérito de cada fala. Dois pontos merecem registro: acusações de "discurso de ódio" são sérias e deveriam vir acompanhadas de trechos concretos, para que o debate fique no que foi dito e não no rótulo; e previsões de votação e estimativas de público feitas por quem participa do evento valem como propaganda, não como dado. A régua vale para qualquer partido: números de público e de votos precisam de fonte independente.