O nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência no segundo turno deste domingo (25), tem aparecido nas buscas ao lado do de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A ligação está num inquérito do Supremo Tribunal Federal que apura o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Veja o que está documentado, o que ainda é alegação e o que Flávio diz.
O que o inquérito investiga
O ministro André Mendonça, do STF, autorizou a investigação em julho, a pedido da Polícia Federal e com aval da Procuradoria-Geral da República. As suspeitas, segundo a Folha de Pernambuco, são evasão de divisas, lavagem de dinheiro, organização criminosa e corrupção ativa. Flávio está entre os investigados.
Segundo a PF, Vorcaro se comprometeu a aportar cerca de R$ 134 milhões no filme, e cerca de US$ 12,3 milhões foram enviados ao exterior.
O que a PF diz sobre o papel de Flávio
Em documento enviado ao STF, conforme reportagem da Jovem Pan de 11 de setembro, a PF descreve Flávio como interlocutor direto de Vorcaro nas conversas sobre o filme, com contatos a partir de agosto de 2025. Um áudio de 8 de setembro de 2025 mostraria Flávio cobrando pagamentos. Planilhas apreendidas indicariam repasses de cerca de R$ 60 milhões, o que é uma indicação e não uma comprovação.
A Agência Câmara havia noticiado em maio, com base na imprensa, que ao menos R$ 61 milhões teriam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025. O calendário das duas versões não coincide, e só a conclusão do inquérito deve esclarecer a diferença.
O que Flávio responde
Em vídeo divulgado em maio, Flávio confirmou que pediu ajuda financeira a Vorcaro para o filme, mas nega irregularidades e afirma que os recursos tinham origem privada. Segundo a Agência Pública, ele chegou a negar o contato e a chamar a primeira reportagem de "militante", e depois mudou a versão mais de uma vez. Mais recentemente, passou a dizer que quem deve dar explicações é o PT. Flávio também defendeu a instalação de uma CPI sobre o Master, e sua defesa pediu acesso integral aos autos do inquérito.
Como reagiram os políticos
Na Câmara, o líder da maioria, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse que um pré-candidato deveria ter devolvido o dinheiro. O líder da oposição, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), afirmou que o pedido em si não é ilegal e defendeu que as investigações esclareçam os fatos.
Em que pé está
Em 16 de outubro, a PF pediu mais 90 dias ao STF. Ainda faltam perícia contábil-financeira, análise de dados eletrônicos, pedidos de cooperação jurídica internacional e depoimentos, entre eles o de Fabiano Zettel. Não há denúncia nem decisão sobre o mérito. Flávio é investigado, não condenado, e vale a presunção de inocência.
Análise: o que a transparência pede
Esta seção é a leitura editorial do Tendência News, que adota uma linha liberal: defesa das instituições, da prestação de contas e do mesmo rigor para qualquer lado.
Dinheiro privado em um projeto ligado a uma família política, vindo de um banqueiro que depois foi preso, é o tipo de relação que exige transparência total, seja qual for o partido do investigado. Segundo a Pública, o filme não tem data de estreia e não há prestação de contas pública sobre o uso do dinheiro. Numa democracia liberal, a resposta a esse tipo de dúvida é a mesma para todos: investigação independente, acesso aos documentos e explicações claras, em vez de trocas de acusações entre campanhas.
Leia também: Quem é Daniel Vorcaro e o que é o caso Banco Master.