A escolha do próximo ministro da Fazenda virou o principal assunto do mercado depois da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Os nomes que circulam no noticiário são o do vice-presidente Geraldo Alckmin e o do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles.
Semana de forte queda
Segundo dados do InfoMoney e da Reuters, citados pelo Brasil 247, o Ibovespa caiu 18,12% na semana seguinte ao segundo turno, o pior desempenho semanal desde março de 2020. Na sexta-feira (30), o índice recuou 0,75%, a 167.921,80 pontos, na quinta queda seguida. Em outubro, a perda foi de 9,88%, a pior para um mês desde junho de 2022, mas o índice ainda acumula alta de 4,22% em 2026.
O dólar subiu 1,09% na sexta e fechou a R$ 5,4460, o maior valor do ano, com alta de 9,15% na semana. Para Edgar Araújo, da Azumi Investimentos, o movimento reflete a desmontagem de posições montadas na aposta de alternância de governo e de ajuste fiscal. Leonardo Mendes, da Manchester Investimentos, afirmou que o governo não fez nenhuma declaração que acalmasse o mercado sobre um eventual ajuste.
A avaliação do Citi
Conforme o Valor Econômico, o Citi usa três critérios para prever a reação do mercado a um nome: as credenciais fiscais anteriores, o grau de dependência em relação a Lula (um nome mais independente teria mais autonomia para um ajuste) e a senioridade e envergadura política. O economista-chefe do Citi Brasil, Leonardo Porto, disse que, com esses parâmetros, "Geraldo Alckmin pode ser melhor recebido pelo mercado do que o governador Rafael Fonteles".
O nome de Fonteles passou a circular nos últimos dias e foi bem recebido pelo mercado, ainda que haja dúvidas sobre sua autonomia. Em entrevista à Folha de S.Paulo, citada pelo Brasil 247, ele disse que Lula vai conciliar responsabilidade fiscal e ganhos sociais, sem "abrir mão dos ganhos sociais". O cenário-base do Citi prevê algum reforço da âncora fiscal, com mudança nos parâmetros do arcabouço, e juros parados por bastante tempo, com cortes retomados no segundo semestre do ano que vem, o que, segundo Porto, "é altamente dependente do sinal do governo neste pós-eleição". Lula ainda não anunciou o ministro.
Análise
Esta seção é a leitura editorial do Tendência News, que adota uma linha liberal.
O nome importa menos que o sinal. Um mercado que perde quase um quinto do valor em uma semana está cobrando regras fiscais críveis, não um personagem. O arcabouço fiscal já foi alterado antes e a dívida pública segue em trajetória que exige contenção de gastos; sem corte de despesa, juros altos e dólar pressionado acabam recaindo sobre quem consome e produz. Um ministro com autonomia real, que diga não ao presidente quando necessário, vale mais do que a melhor biografia. Falta ao governo dizer, com números, como pretende conter o crescimento do gasto.



