Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, terminou o segundo turno de 2026 com uma disputa presidencial praticamente empatada, de acordo com a apuração acompanhada pelo Tendência News. Na votação para governador, não houve segundo turno.

Presidente: diferença de cerca de 99 mil votos

A página de apuração do jornal O Tempo mostrava, com 99,73% das seções apuradas, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 50,40% dos votos válidos em Minas e Flávio Bolsonaro (PL) com 49,60%, uma diferença de 99.357 votos. O dado é de apuração praticamente encerrada, mas não é o número oficial consolidado: o resultado definitivo está no painel do TSE. Vale notar que a própria página não traz a contagem absoluta de votos de cada candidato no segundo turno, e que parciais anteriores, com cerca de um quarto das seções, apontavam diferença bem menor, o que mostra como os números mudaram ao longo da noite.

No primeiro turno, segundo o Nexo Jornal com dados do TSE, Flávio teve 5.777.548 votos (48,24%) no estado e Lula, 5.188.936 (43,33%). A virada nacional de Lula, confirmada com cerca de 51,8% dos votos válidos, teve em Minas uma das disputas mais disputadas do país. Segundo o Metrópoles, Lula venceu em 2.875 cidades do Brasil e Flávio em 2.695.

Governador: Cleitinho eleito no 1º turno

Para o governo estadual, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) foi eleito no primeiro turno, com 55,40% dos votos válidos (6.321.590 votos), segundo o painel do Metrópoles com dados do TSE. Os demais colocados foram Patrus Ananias (PT), com 26,34% (3.006.088); Flávio Roscoe (PL), com 6,97%; Mateus Simões (PSD), com 4,65%; e Alexandre Kalil (PDT), com 3,54%. Foram 11.410.371 votos válidos, 658.416 em branco, 556.916 nulos e 3.734.021 abstenções. A votação de Henrique Áreas (PCO) consta como anulada sub judice, ou seja, depende de decisão da Justiça.

Um estado dividido

O contraste entre o resultado de governador, em que um nome de centro-direita venceu com larga vantagem, e o equilíbrio na disputa presidencial indica um eleitorado que não vota de forma alinhada entre cargos.

Análise

Esta seção é a leitura editorial do Tendência News, que adota uma linha liberal.

Um estado dividido quase ao meio é a imagem de um país em que a polarização persiste. O que importa agora é o respeito às instituições: o resultado da urna é definido pela Justiça Eleitoral, e quem perdeu, de qualquer lado, deve reconhecer o veredicto sem insinuar fraude sem provas, assim como quem ganhou deve governar sem tratar a margem estreita como cheque em branco. A eleição de Cleitinho no primeiro turno mostra ainda que o eleitor mineiro separa a escolha local da nacional, e cobra de governantes resultados em serviços e responsabilidade com o dinheiro público.