Quando María Corina Machado deixou a Venezuela, em dezembro, o país ainda era governado por Nicolás Maduro. Ao voltar, neste domingo (25), ela encontra um quadro diferente, descrito pela CNN como um cenário "transformado pelos Estados Unidos", seu aliado, sem a participação dela.

O que mudou desde dezembro

  • Queda de Maduro: em 3 de janeiro, os EUA fizeram uma operação militar que depôs e capturou Maduro, segundo a CNN Brasil.
  • Governo interino: a vice, Delcy Rodríguez, assumiu como presidente interina. O G1 informa que o governo dela é acusado de ser uma continuidade do chavismo.
  • Transição negociada: Washington passou a trabalhar com o governo interino para conduzir o país a uma transição democrática e à reconciliação política. O processo envolveu várias figuras da oposição, mas excluiu Machado e seu aliado Edmundo González Urrutia, de acordo com a CNN.
  • Posição de Trump: a Euronews relata que o presidente americano tem se mostrado satisfeito com Rodríguez, que atendeu a exigências dos EUA, sobretudo no acesso ao petróleo venezuelano. Sobre Machado, ele disse que ela é "uma mulher muito agradável".

A disputa em torno da volta

Machado acusou o governo de Rodríguez de temer seu retorno e a chamou de uma das arquitetas do regime de Maduro, conforme a imprensa internacional. Rodríguez ainda não comentou. Em outubro, o secretário de Estado, Marco Rubio, negou que Washington tivesse pedido a outros países que bloqueassem a entrada de Machado, segundo a Euronews; antes, os EUA haviam manifestado reservas sobre o momento do retorno.

O que pode vir a seguir

Para a Euronews, a pergunta deixou de ser quando Machado voltaria e passou a ser que papel poderá ter nas negociações entre o chavismo, setores da oposição e os EUA. Ela vem cobrando uma data para eleições presidenciais. Até agora, não há calendário eleitoral anunciado nas reportagens consultadas.

Análise

Esta seção é a leitura editorial do Tendência News, que adota uma linha liberal.

O ponto central é o calendário eleitoral. Uma transição conduzida por acordo entre o governo interino e potências estrangeiras pode trazer estabilidade, mas só se legitima quando o eleitor venezuelano decide em urnas auditáveis, com todos os candidatos podendo disputar. A exclusão da principal figura da oposição das negociações e a ausência de data para a eleição são o tipo de lacuna que Estado de Direito e liberdades políticas exigem fechar. O mesmo rigor vale para quem apoia Machado: a legitimidade dela virá do voto, e não da simpatia de Washington. A volta, pacífica e sem prisão até aqui, é um sinal positivo, mas ainda não é garantia de competição política livre.