A líder da oposição venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, voltou à Venezuela neste domingo (25), depois de quase dez meses fora do país. Ela comunicou o retorno em sua conta no X com a frase "Estou aqui. Com vocês". O ex-candidato à Presidência Edmundo González Urrutia confirmou a chegada, também pela rede social.
O que se sabe sobre a volta
Segundo o comando político de Machado, o Comando Con Venezuela, ela foi a uma igreja em Santa Rosa, no estado de Lara, para agradecer à Divina Pastora pelo retorno. A organização divulgou fotografias da visita. Não foram detalhados como e por onde ela entrou no país.
Machado deixou a Venezuela em dezembro para receber o Nobel da Paz, na Noruega, e passou os meses seguintes no exterior, sobretudo nos Estados Unidos e no Panamá. De acordo com a equipe dela, relatada pela Euronews, foram pelo menos sete tentativas de retorno nos últimos três meses, por via aérea, marítima e terrestre, a partir dos EUA, do Panamá e de Curaçao. Todas teriam sido frustradas por cancelamentos de última hora, problemas com voos e obstáculos que não foram esclarecidos.
Reações
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse à CNN que não sabia do retorno. "Não sabia de nada a respeito, mas acho que ela é uma mulher muito agradável", afirmou, lembrando que Machado lhe deu o próprio Nobel. A CNN perguntou ao Departamento de Estado se o país participou das negociações que levaram à volta; o órgão remeteu a declarações do secretário Marco Rubio, que em setembro disse que ela, como cidadã venezuelana, tem o direito de entrar no país quando quiser.
O governo da presidente interina, Delcy Rodríguez, não havia se manifestado publicamente até a publicação das reportagens consultadas. A CNN afirmou ter pedido comentário a Caracas e aguardar resposta. No início de outubro, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, havia minimizado a possibilidade de a opositora voltar, segundo a Euronews.
O que ainda não está claro
Ainda não se sabe qual será o papel de Machado no cenário político. Na mesma semana do retorno, ela cobrou a marcação de eleições presidenciais e pediu mobilização dos cidadãos. A situação política do país mudou desde que ela saiu: em 3 de janeiro, os Estados Unidos depuseram Nicolás Maduro numa operação militar, e Washington passou a trabalhar com o governo interino em uma transição, processo do qual Machado e González Urrutia ficaram de fora, segundo a CNN.