Um júri em São Paulo condenou, na madrugada de sexta-feira (30), o empresário Fernando Sastre de Andrade Filho a 17 anos, um mês e dez dias de prisão, em regime inicial fechado, pela morte do motorista de aplicativo Ornaldo Silva Viana. A informação é da Folha de S.Paulo.
O caso
Em 31 de março de 2024, por volta das 2h, Sastre dirigia um Porsche na avenida Salim Farah Maluf, no Tatuapé, zona leste da capital, quando perdeu o controle e bateu na traseira de um Renault Sandero conduzido por Viana. O motorista foi levado ao Hospital Municipal do Tatuapé e morreu. A perícia apontou que o Porsche estava a 156 km/h; o limite da via é de 50 km/h. O amigo que estava no banco do passageiro, Marcus Vinicius Machado Rocha, teve costelas quebradas e perdeu o baço, e a condenação inclui lesão corporal contra ele.
A sentença
A juíza Melanie Liesenberg, seguindo o entendimento do júri, reconheceu dolo eventual, quando se assume o risco de matar. Declarou também a inabilitação do empresário para dirigir. Na sentença, a magistrada citou que ele ignorou os pedidos dos amigos para não dirigir e que voltou a conduzir menos de um mês depois de cumprir suspensão do direito de dirigir imposta por participação em corrida em via pública. Também mencionou a orfandade da filha adolescente da vítima. Sastre não poderá recorrer em liberdade.
A versão da defesa e da acusação
A defesa, conduzida pelo advogado Eugenio Malavasi, pediu a condenação por homicídio culposo, sem intenção de matar, para reduzir a pena. Na audiência de quinta-feira (29), Sastre admitiu pela primeira vez ter bebido dois drinks à base de uísque horas antes, o que havia negado à polícia e à imprensa, e disse: "Tenho vergonha e arrependimento todos os dias da minha vida".
O promotor Rodolfo Morais questionou a mudança de versão e afirmou que o réu mentiu em busca de absolvição e deixou o local 40 minutos depois, sem fazer o teste do etilômetro. O Ministério Público diz que o grupo bebeu em um bar e depois foi a uma casa de pôquer com serviço open bar. A advogada da família da vítima, Heloisa Gagliotti, considerou que "a justiça foi feita".



