Milhares de pessoas se reuniram na Praça Habima, em Tel Aviv, no sábado (31), para pedir que a oposição israelense feche um acordo com partidos árabes e tire Benjamin Netanyahu do poder, segundo a Al Jazeera. A manifestação ocorre depois de uma eleição que não deu maioria a nenhum bloco no Knesset.

O protesto

A reportagem não informa o número exato de participantes. Manifestantes disseram à agência AFP que o resultado pode ser a "última chance de uma mudança real" e chamaram Netanyahu de "grande manipulador". Houve também contramanifestantes, que afirmaram que Israel não deve ter um governo com "os chamados terroristas".

As acusações de Netanyahu

O premiê acusou os partidos de israelenses palestinos de "roubar" a eleição e de receber financiamento do Catar. O Catar rejeitou as afirmações e as classificou como campanha de desinformação. Segundo a correspondente da Al Jazeera, Nour Odeh, círculos da direita descreveram a alta participação eleitoral de cidadãos palestinos de Israel como "terrorismo eleitoral", numa comparação com o ataque de 7 de outubro. Em reportagem anterior, a emissora registrou que o presidente da Comissão Central de Eleições encaminhou as denúncias de interferência estrangeira à Shin Bet, mas disse que não tinha como verificá-las.

Os números da votação

  • O bloco de Netanyahu obteve 53 das 120 cadeiras.
  • O bloco do líder da oposição, Gadi Eisenkot, ficou com 48.
  • Três partidos de maioria árabe somaram 19 cadeiras.
  • Cerca de 840 mil pessoas votaram no Ra'am e na Lista Conjunta, alta de 64% em relação a 2022.
  • Oposição mais partidos árabes teriam 67 cadeiras, maioria. Eisenkot já havia descartado esse caminho.

Análise

Esta seção é a leitura editorial do Tendência News, que adota uma linha liberal.

Contestar um resultado eleitoral é direito de qualquer político, mas a contestação precisa passar pelos canais institucionais e apresentar provas. Até aqui, o que a cobertura registra é uma acusação sem comprovação, que o órgão eleitoral não conseguiu verificar. Chamar de "terrorismo" o voto de cidadãos que exerceram um direito legítimo corrói a confiança no sistema, qualquer que seja o lado que o faça. Num Estado de Direito, o voto de todo cidadão tem o mesmo peso, e a formação de governo é uma negociação entre partidos, não um julgamento sobre a legitimidade de eleitores. Cabe à oposição, por sua vez, explicar aos seus próprios eleitores por que mudou ou manteve a posição sobre alianças.