A reunião de ministros das Relações Exteriores do G20, sediada em Atlanta, nos Estados Unidos, nos dias 30 e 31 de outubro, acontece sob forte divisão entre os membros, de acordo com reportagem do g1 baseada em informações da agência Reuters.
O que esperar
Diplomatas e especialistas ouvidos pela Reuters afirmam que divergências profundas sobre as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio provavelmente impedirão ações ou declarações unificadas. Os EUA, que exercem a presidência rotativa do G20 neste ano, querem concentrar a atenção em desequilíbrios comerciais e formar uma coalizão contra o controle da China sobre minerais essenciais. Para muitos outros membros, porém, as guerras e o impacto econômico delas seguem como principal preocupação.
Tensões na mesa
Os EUA não convidaram a África do Sul. O chanceler russo, Sergei Lavrov, está presente, e até a foto de família gerou impasse: autoridades europeias sugeriram duas imagens, uma com Lavrov e outra sem ele. Heidi Crebo-Rediker, ex-economista-chefe do Departamento de Estado no governo Obama, disse que há "uma divisão muito maior do que já tivemos". Elaine Dezenski, da Fundação para a Defesa das Democracias, afirmou que declarações de grupos menores podem ser o caminho, e que o verdadeiro teste é se os EUA conseguirão construir cooperação sem consenso entre todos.
O Quad (EUA, Índia, Japão e Austrália) também deve se reunir em Atlanta nos próximos dias. O Brasil participa de três sessões de trabalho, sobre geopolítica, energia e cadeias de suprimento, segundo a CNN Brasil. A cúpula de líderes será em 14 e 15 de dezembro, em Miami.
Análise
Esta seção é a leitura editorial do Tendência News, que adota uma linha liberal.
A dificuldade de produzir consenso no G20 reforça a importância de acordos comerciais bilaterais e regionais, que reduzam tarifas e barreiras sem depender de unanimidade. Para um país exportador como o Brasil, abrir mercados e manter relações com todos os parceiros, sem alinhamentos automáticos, é a estratégia que melhor protege o interesse nacional.



