Jovens foram às ruas em cidades da Alemanha neste sábado (31) no movimento "GenZ regelt!" ("A Geração Z dá conta do recado"), que protesta contra o alto custo de vida, a situação de escolas e universidades e o aumento dos gastos militares. Segundo o jornal O Globo, com a agência AFP, dezenas de milhares de pessoas participaram. A CNN Brasil também relatou milhares de participantes.

O que o movimento reivindica

De acordo com a AFP, os organizadores esperavam mais de 170 mil participantes em mais de 30 cidades, entre elas Berlim, Frankfurt e Colônia. O movimento cobra medidas contra o custo de vida e mais dinheiro para a educação, e critica o forte aumento dos gastos militares e um novo programa de serviço voluntário para reforçar as Forças Armadas, que, na visão dos manifestantes, poderia abrir caminho para a volta do serviço militar obrigatório.

"A situação dos jovens é precária e, mesmo assim, eles continuam sem ser ouvidos", disse a porta-voz Veronika Dinter. Em seu site, o grupo afirma que quer protestar de forma pacífica e orienta os participantes a manterem o rosto visível, mesmo com fantasias de Halloween, data escolhida para ampliar a visibilidade.

Confrontos pontuais

  • Colônia: a polícia usou canhões de água depois que alguns manifestantes lançaram fogos de artifício durante a marcha. "Nossas medidas são direcionadas contra arruaceiros e indivíduos violentos, não contra participantes pacíficos", afirmou a corporação.
  • Hamburgo: segundo a AFP, cerca de 6 mil pessoas participaram; barricadas foram incendiadas e a polícia de choque reagiu, com spray de pimenta. A polícia disse ter havido aumento de ataques com pirotecnia e material de construção contra equipes de emergência.
  • Berlim: o ato foi descrito como pacífico pela CNN, embora o Globo/AFP cite agentes atingidos por garrafas e ovos.
  • Frankfurt: a polícia relatou o uso de fogos de artifício.

O número de detidos nas 34 cidades com atos não foi divulgado. Lojas de luxo, como as da Kurfürstendamm, em Berlim, protegeram vitrines com tapumes por receio de saques.

Contexto europeu

O movimento se inspira em mobilizações de jovens na França e na Itália. Na França, os protestos de 17 de outubro tiveram alguns dos distúrbios mais graves dos últimos anos, e novos atos ocorreram neste sábado. O sociólogo Sebastian Koos, da Universidade de Konstanz, disse à DW que os protestos alemães não têm o mesmo nível de indignação dos franceses: foram planejados, registrados oficialmente e organizados com cuidado, e uma repetição da violência em larga escala é improvável.

Análise

Esta seção é a leitura editorial do Tendência News, que adota uma linha liberal.

Protestar é um direito num Estado de Direito, e a insistência do movimento em manifestação pacífica merece registro; a violência contra equipes de emergência deve ser tratada pela Justiça, sem confundir os poucos que a praticam com a maioria. Quanto às pautas, o debate é legítimo, mas cobra clareza: pedir mais gastos em educação e menos em defesa exige dizer de onde sai o dinheiro, e o custo de vida costuma responder a impostos, regulação e produtividade. Um serviço militar voluntário, ao contrário do obrigatório, preserva a liberdade individual; é esse o ponto que o governo precisa garantir em lei.