O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ficou longe da maioria na eleição legislativa realizada no fim de outubro. Com mais de 99% das urnas apuradas, segundo a rede Al Jazeera, nenhum dos blocos chegou aos 61 votos necessários no Knesset, o parlamento de 120 cadeiras.

Os números

  • Bloco de Netanyahu: 53 cadeiras, oito a menos que o necessário.
  • Oposição, liderada pelo ex-chefe militar Gadi Eisenkot: 48 cadeiras, 13 a menos que a maioria.
  • Listas de partidos árabes: 19 cadeiras no total, das quais 8 projetadas para o Ra'am, de Mansour Abbas.

Os resultados são provisórios e só serão certificados oficialmente na quarta-feira, segundo a cobertura.

A conta da coalizão

Somando a oposição às 19 cadeiras das listas árabes, o total chegaria a 67, o suficiente para formar maioria. Com apenas as 8 do Ra'am, seriam 56, cinco a menos. A correspondente da Al Jazeera avalia que Eisenkot não consegue formar governo sem os partidos de maioria árabe.

O problema é que o próprio Eisenkot, que lidera o partido Yashar, se comprometeu a não se aliar aos partidos de israelenses palestinos. Ele se reuniu com Naftali Bennett (Together) para discutir a formação rápida de um governo e afirmou que "os dias em que Netanyahu usava as instituições do Estado contra os interesses de Israel para suas necessidades pessoais acabaram". Yair Golan, do partido Democratas, é a única voz da oposição que defende um governo com os partidos árabes.

O que diz o campo de Netanyahu

O Likud, partido do premiê, sustenta sem apresentar provas que os partidos árabes "roubaram" a eleição, possivelmente com ajuda estrangeira. As alegações foram rejeitadas. O presidente da Comissão Central de Eleições disse ter encaminhado as denúncias à Shin Bet, o serviço de segurança, para investigação, mas afirmou não ter como verificá-las. A reportagem não registra negociações de coalizão do bloco de Netanyahu.

O que falta saber

Ainda não está definido quem receberá a missão de tentar formar o governo nem se algum dos lados vai ceder em suas posições. A Al Jazeera também menciona a possibilidade de a oposição trocar o presidente do Knesset, considerado próximo de Netanyahu, na disputa de bastidores.