A mesa de operações de ações do Goldman Sachs fez uma leitura própria da forte queda de Wall Street, segundo reportagem do Investing.com. O banco descreveu um dia de pânico e apontou quem vendeu e por quê. As avaliações abaixo são do banco, conforme relatadas pelo veículo, e não dados oficiais de mercado.
O que a mesa do Goldman disse
"Ontem foi um dos dias mais movimentados do ano na mesa de ações. Hoje é o oposto", escreveram os operadores, que chamaram a reversão de "espetacular". Sobre a manhã de negociações, afirmaram que "os fluxos estavam completamente em pânico". Segundo o relato, as condições se estabilizaram um pouco quando fundos de valor relativo de volatilidade passaram a explorar distorções.
Sobre o futuro, a mesa disse que "há muitas oportunidades começando a surgir, mas é difícil saber quando a pressão vendedora vai diminuir", e que, quando ela diminuir, as recuperações podem ser fortes.
Quem vendeu, segundo o banco
- A venda de tecnologia foi cerca de cinco vezes o movimento implícito precificado no straddle (operação com opções) de um dia de quarta-feira.
- Gestores que só compram (long-only) tinham reduzido risco antes das eleições, foram pegos de surpresa pela recuperação de quarta-feira e voltaram ao mercado.
- Fundos de hedge que recompraram ações na quarta rapidamente as revenderam na quinta, em especial as das gigantes de nuvem (hyperscalers).
- A venda de produtos macro, e não liquidações de ações individuais, foi o principal motor.
- Compras oportunistas surgiram no fim da sessão em Nvidia, TSMC, Microsoft e CoreWeave.
Mudança no debate sobre IA
Para o Goldman, a discussão dos investidores mudou da demanda de longo prazo por capacidade de computação de IA para o ritmo e o custo da implantação. Pesam, segundo o banco, custos de financiamento mais altos, a pressão política sobre data centers e o temor de regulação após as eleições.
O contexto do dia
De acordo com o Investing.com, o Nasdaq caiu 5,5%, entrando em correção, o S&P 500 recuou 4,3% e o Dow Jones 3,4%, apagando os ganhos de quarta-feira. Nasdaq e S&P 500 tiveram o pior desempenho intradiário desde 4 de abril de 2025. O Yahoo Finance informou ainda que o banco promoveu 109 novos sócios na quinta, a maior turma desde 2010. Os números gerais do pregão estão em Wall Street despenca: Nasdaq cai 5,5%. O Goldman não fez recomendação pública de compra ou venda nas reportagens lidas, e este texto também não faz.
Análise
O relato da mesa do Goldman é um bom retrato de como o mercado funciona sem comando central: milhares de agentes, cada um com informação parcial, ajustando posições em horas. É o que Hayek descrevia como o papel dos preços na coordenação do conhecimento disperso. A descrição de vendas "macro" e de fundos que compram na quarta e vendem na quinta também lembra que boa parte do movimento é de curto prazo, e que volatilidade não é, por si só, sinal de colapso da economia real.
Ao mesmo tempo, o banco aponta custo de financiamento mais alto e pressão política como freios à expansão de IA. Na visão austríaca, juros são um preço que informa a escassez de poupança; quando sobem, projetos que só se sustentavam com dinheiro barato deixam de fechar a conta, e isso é o ajuste, doloroso mas necessário, de que falava Mises. A resposta de política econômica que protege propriedade e contratos é abster-se de socorros seletivos e de regras que mudem ao sabor do ciclo eleitoral. Vale o mesmo critério para republicanos e democratas, e para qualquer governo, em qualquer país.



