A Folha de S.Paulo publicou na manhã do segundo turno, domingo (25), uma lista "nada exaustiva" dos problemas que o próximo presidente encontraria ao assumir, em 5 de janeiro de 2027, fosse Lula (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL) o vencedor. Lula foi reeleito, como mostra nossa cobertura do resultado. A parte fiscal do levantamento está em outra reportagem nossa; este texto trata dos demais itens: Supremo, investigações e ruas. As avaliações abaixo são do jornal, não do Tendência News.
O Supremo
Segundo a Folha, a crise no Supremo Tribunal Federal, que "permeou toda a campanha", deixaria um legado complicado para qualquer vencedor. Se Flávio vencesse, o jornal via o embate contratado caso ele indultasse o pai, Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe: a jurisprudência da Corte, diz o texto, veda esse tipo de indulto. O jornal também projetava um fortalecimento dos ministros André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux numa disputa interna, ainda que minoritários, e menciona a pressão bolsonarista por um impeachment de Alexandre de Moraes via Senado.
Para um Lula reeleito, a Folha avalia que será mais difícil reeditar a parceria com o Supremo contra um Legislativo hostil, depois de, segundo o jornal, vir à tona que Moraes e outros ministros "tinham relações inconvenientes" com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. A reportagem lida não traz a resposta dos ministros citados.
Master e investigações
O texto afirma que Vorcaro continuará "um espinho" para muitos políticos e que o dano maior seria para Flávio, pelas relações próximas com o banqueiro e por investigações em curso, entre elas o caso "Dark Horse" e outros ligados ao Master, além de uma apuração sobre lavagem de dinheiro com bets que envolve o advogado Willer Tomaz. A Folha lembra que, em caso de vitória, processos criminais contra o presidente ficam paralisados, mas não necessariamente as investigações. Investigado não é condenado, e a reportagem lida não reproduz a defesa de Flávio; sobre o episódio da ilha em Angra dos Reis, que envolve Tomaz, o senador nega qualquer envolvimento, como mostra a cobertura sobre Richarlison e a ilha, que traz o que cada lado diz.
Para Lula, a Folha aponta como principal dor de cabeça o caso Lulinha, que alcança a Presidência por meio de seu ex-chefe de gabinete, e diz que o grau de disputa interna na Polícia Federal será central para o impacto. A reportagem não detalha as acusações nem traz manifestação do presidente ou de seu filho; trata-se de apuração, sem condenação.
As ruas
Por fim, a Folha prevê mobilização após a eleição, dada a polarização extrema e a disputa "nariz a nariz". Cita o histórico de 2022, quando a derrota de Bolsonaro levou a acampamentos em quartéis que desaguaram no 8 de Janeiro, e diz que, se hoje não há golpismo a apontar, a base bolsonarista, fortalecida no Legislativo, pode manter a mobilização, como nos "bloquinhos do Nikolas". Do outro lado, a esquerda, coordenada por uma campanha digital eficaz, também poderia seguir combativa em caso de derrota.
Análise
Esta seção é a leitura editorial do Tendência News, que adota uma linha liberal.
Os itens da lista têm em comum a fragilidade das instituições diante do personalismo. Indulto para quem foi condenado por atentar contra a ordem democrática, disputa aberta entre ministros e suspeitas de proximidade de magistrados com um banqueiro investigado minam a confiança no Estado de Direito, e valem o mesmo escrutínio para qualquer governo. A resposta liberal é prosaica: transparência, regras iguais para todos, investigações concluídas dentro dos prazos legais e presunção de inocência até a sentença. Quanto às ruas, o direito de manifestação é parte da liberdade, desde que se mantenha longe da violência e do desrespeito ao resultado das urnas.