A prorrogação da votação do segundo turno até as 19h, determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), na tarde de domingo (25), não chegou a tempo a parte das seções eleitorais do Rio de Janeiro. Segundo O Globo, em alguns locais as urnas já haviam sido encerradas e os boletins de urna impressos quando a informação foi repassada, o que, de acordo com fiscais ouvidos pela reportagem, impediu a reabertura dos equipamentos. A apuração, que chegou a começar, foi paralisada por determinação do ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O que aconteceu nas seções

No CIEP Presidente Tancredo Neves, no Catete, na capital fluminense, todas as urnas foram encerradas às 17h, segundo fiscais do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ). "Como é algo inédito, não sabemos o que fazer. Não fomos oficializados. Se já tem urna encerrada, não tem como reabrir", disse um fiscal ao jornal. O Globo relata situação parecida na Escola Municipal Rotary, em Duque de Caxias, no Colégio pH e na Escola Municipal Almeida Garrett, na Barra da Tijuca, e no CIEP Thomas Jefferson, em Realengo, onde mesários disseram não ter sido avisados da extensão do prazo.

Uma mesária de Duque de Caxias contou que o encerramento ocorreu até antes do usual: "Faltando um minuto [para as 17h], eles já estavam fechando tudo." Já um fiscal do Colégio pH afirmou que quase todos os cerca de 400 eleitores das seis seções do local haviam votado, que a abstenção caiu muito em relação ao primeiro turno e que não houve registro de pessoas chegando atrasadas ali.

Eleitores que não conseguiram votar

Lucas Soares, de 20 anos, disse ter saído de Triagem de moto, enfrentado trânsito e chuva e chegado ao colégio às 16h59, sem conseguir entrar; segundo ele, foi informado depois de que a decisão de prorrogar saiu às 17h14. Ana Souza, de 50 anos, contou que vinha de Magé e soube da prorrogação a caminho, mas encontrou as urnas já encerradas, mesmo com os portões abertos.

Os fiscais receberam a orientação de permanecer nos colégios até as 19h, embora a votação já estivesse encerrada. Para quem chegou depois das 17h, a orientação passada, segundo o presidente de uma zona eleitoral, era anotar nome, número do título e horário de chegada para constar da ata. Isso, ainda segundo o relato, não significa que o registro seja contabilizado como voto; funcionaria apenas como notificação de comparecimento.

O contexto da decisão

A decisão de Zanin atendeu a um pedido da coligação de Lula (PT) por problemas de transporte público em municípios de ao menos nove estados e, segundo o G1, determinou a prorrogação "em todas as seções de todo o Brasil", cabendo ao TSE cumprir. A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) também havia pedido duas horas a mais em cidades de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul afetadas por chuvas. Às 17h06, de acordo com o G1, só 1.225 das 499.248 seções (0,25%) tinham votos para presidente apurados. Mais detalhes da decisão e das reações estão em nossa reportagem sobre a prorrogação.

O que ainda não está claro

As reportagens lidas não informam quantas seções fluminenses encerraram antes da chegada da decisão, quantos eleitores deixaram de votar nem se o TSE ou o TRE-RJ tomaram alguma providência específica para esses casos. O G1 e O Globo não trazem resposta do TSE sobre os relatos; este texto será atualizado quando houver posicionamento.

Análise

Esta seção é a leitura editorial do Tendência News, que adota uma linha liberal.

O direito de voto é a base das demais liberdades políticas, e a regra do jogo precisa ser conhecida por quem a executa. Uma mudança de horário comunicada depois do fechamento de parte das urnas mostra o custo de ajustes de última hora: mesários sem orientação oficial, eleitores em dúvida e margem para contestações. Seja qual for o mérito dos pedidos de transporte e de chuva, de campanhas diferentes, é papel da Justiça Eleitoral prever e decidir tais situações com antecedência e de forma uniforme, para que nenhum eleitor, de qualquer lado, pague pelo improviso.