O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito no segundo turno de domingo (25) e vai governar o país pela quarta vez. Com 99,77% das seções apuradas às 21h16, o petista tinha 51,76% dos votos válidos, ou 64.078.503 votos, contra 48,24% (59.728.246 votos) do senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reproduzidos pela Bloomberg Línea. A diferença era de 4.350.257 votos. A proclamação oficial do resultado cabe ao TSE depois da totalização final.
Os números
Os percentuais mudaram conforme a parcial avançava. A Gazeta do Povo citou 51,74% para Lula com 97,69% das urnas apuradas; o Exame, 51,75%; a Bloomberg Línea, 51,76% com 99,77% das seções. Votos em branco somavam 1,12% (1.427.684) na parcial das 21h16. O eleitorado apto era de cerca de 158,7 milhões de pessoas.
Segundo o Mix Vale, que usou parcial anterior do TSE, o comparecimento foi de 80,96%, a abstenção de 19,04%, os brancos de 1,11% e os nulos de 2,10%.
A virada
No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro ficou à frente, com 47,03% dos votos válidos (56.104.268 votos), contra 45,16% de Lula (53.876.617), uma diferença de pouco mais de 2,2 milhões de votos. A apuração do segundo turno foi alternando a liderança: às 19h39, com 10,40% das seções, Lula tinha 50,46%; às 20h05, com 26,30%, Flávio aparecia com 50,46%; às 20h30, com 53,13%, Lula voltou à frente com 50,23% e ampliou a vantagem até 51,11% com 75,87% das seções, de acordo com o Mix Vale.
O Exame afirma que Lula é o primeiro presidente desde a redemocratização a vencer um segundo turno depois de ter ficado atrás no primeiro e o primeiro a exercer quatro mandatos. A última pesquisa Quaest antes do segundo turno, divulgada em 21 de outubro, apontava Flávio com 45% e Lula com 44%, segundo a Gazeta do Povo.
Onde cada um venceu
Lula foi mais votado em todo o Nordeste, com mais de 75% no Piauí e 71% na Bahia, e também no Pará, no Amazonas, no Amapá e em Minas Gerais (50,29%), segundo o Mix Vale. Flávio venceu em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Espírito Santo, no Sul e no Centro-Oeste. Seus melhores resultados foram em Roraima (72,45%) e Rondônia (69,61%), de acordo com o Exame, que também registrou 69,42% para ele em Santa Catarina e 62,29% no Paraná.
No exterior, Lula teve 58,06% na parcial citada pelo Mix Vale. A posse está marcada para 5 de janeiro de 2027, com Geraldo Alckmin (PSB) novamente como vice.
O que o resultado traz
A Gazeta do Povo lembra que o PL terá a maior bancada na Câmara (121 deputados) e no Senado (28 senadores a partir de fevereiro de 2027), enquanto a federação PT-PCdoB-PV terá 88 deputados. Segundo o jornal, a agenda do governo dependerá de negociação com o Centrão. Na campanha do segundo turno, Lula intensificou o anúncio de medidas como o perdão de dívidas de microempreendedores individuais (R$ 15,5 bilhões, de acordo com o texto), um reajuste de cerca de 15% no Bolsa Família e o avanço do fim da escala 6x1.
O blog ao vivo da Bloomberg Línea também registrou reação do mercado: o dólar futuro para novembro subia cerca de 9% na noite de domingo, e o câmbio à vista, que só volta a ser negociado na segunda-feira (26), fechou a última cotação em R$ 4,9791. Esses números de pregão fora do horário regular devem ser conferidos na abertura dos mercados.
Até a publicação das fontes consultadas, não havia declaração de Flávio Bolsonaro sobre o resultado nem discurso de vitória de Lula nas páginas lidas. Antes da votação, o candidato do PL havia dito que a campanha foi "alegre e limpa".
Análise
Esta seção é a leitura editorial do Tendência News, que adota uma linha liberal.
O resultado vai testar o desenho institucional do país mais do que qualquer campanha. Um Congresso em que o PL tem as maiores bancadas e um governo reeleito com margem de cerca de 3,5 pontos percentuais tornam a negociação a única via de governar, o que é saudável: limita o Executivo e obriga a discutir gastos e prioridades em público. A promessa de benefícios e perdão de dívidas no segundo turno, porém, aponta no sentido oposto ao da responsabilidade fiscal, e a reação inicial do câmbio mostra que investidores esperam esse debate. A defesa do Estado de Direito pede, de todos os lados, o mesmo comportamento: aguardar a totalização oficial do TSE e reconhecer o resultado, recorrendo à Justiça, se for o caso, pelos meios legais.