Nas semanas finais da campanha presidencial, o atacante Richarlison passou a cobrar publicamente o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o advogado Willer Tomaz por causa de uma ilha em Angra dos Reis (RJ). O caso chegou ao debate entre Lula e Flávio e voltou ao noticiário depois da eleição. Veja o que cada lado afirma. Nada abaixo é conclusão de investigação ou decisão judicial definitiva sobre o mérito.

O que diz Richarlison

O jogador afirma ter investido cerca de R$ 10 milhões no imóvel. Segundo o SBT News, o valor inclui R$ 4,66 milhões pagos a antigos ocupantes, além de obras de reforma e segurança; a negociação teria começado em outubro de 2020. Em vídeo divulgado no dia 17, ele disse que não quis vender a ilha a Flávio e que, por isso, "os caras pegaram na mão grande lá na Justiça": segundo ele, enquanto a documentação da posse dele era resolvida, Flávio e Tomaz teriam obtido a posse em 24 horas. Richarlison também pediu que a Polícia Federal investigue o caso.

O jogador sustenta ainda ter esperado quase um ano por uma manifestação da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), enquanto os direitos de ocupação foram transferidos à WT Administração de Imóveis, empresa ligada a Tomaz. Seu empresário, Oswaldo Botrel, disse à CNN Brasil que o atleta comprou dos primeiros posseiros e donos originais.

O que diz Willer Tomaz

Em entrevista à CNN Brasil, publicada em 22 de outubro, Tomaz afirma que Richarlison comprou de invasores: o vendedor seria posseiro, não dono, e o contrato diria apenas que ele "se declara possuidor". O advogado diz ter escritura pública, registro em cartório e certidão da SPU em nome de sua empresa, e que a companhia proprietária desde 1986 vendeu a ilha a ele. Afirma que Richarlison perdeu em instâncias da Justiça (Angra dos Reis, TJ-RJ e STJ) e que, em 2025, renunciou por escrito para não pagar honorários de sucumbência. Chamou a cobrança do jogador de "oportunismo com data marcada", por ocorrer em ano eleitoral.

A CNN Brasil informa que Tomaz é investigado pela Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro e ligação com fraudes em descontos do INSS, em apuração que não trata da ilha. Investigação não equivale a condenação.

O que diz Flávio Bolsonaro

O senador nega qualquer envolvimento. Segundo as reportagens, sua campanha afirma que ele nunca comprou, vendeu ou intermediou o imóvel. No debate da TV Globo, na sexta-feira (23), Lula perguntou se ele havia indicado o então diretor da SPU e se influenciou o pedido que beneficiou a empresa de Tomaz, e disse que o requerimento andou em uma semana, enquanto o de Richarlison esperou cerca de um ano. Flávio respondeu: "Olha, eu não indiquei ninguém, candidato", e disse que a Justiça já havia decidido e que o jogador estaria "tomando volta" do próprio empresário. Lula afirmou que seu ministro estudaria devolver a terra se Richarlison tivesse razão.

O que está em apuração

O coletivo Derrubando Muros apresentou em outubro uma representação ao Ministério Público Federal pedindo apuração de eventuais irregularidades e favorecimento na transferência dos direitos de ocupação. O SBT News ressalta que não há comprovação de crime até o momento. A questão envolve direitos de ocupação de área da União, e não propriedade privada plena, o que explica o papel da SPU. Não há, nas reportagens consultadas, decisão do MPF sobre a representação nem manifestação final da SPU.

Pontos em aberto

As versões divergem sobre quem tinha direito de vender o imóvel e sobre a rapidez dos trâmites na SPU. O Tendência News não identificou decisão do MPF ou da PF sobre o caso até esta segunda-feira (26).