O bitcoin abriu a semana testando a região de US$ 80 mil. Segundo a Cointribune, a criptomoeda negocia perto de US$ 80,5 mil depois de não conseguir voltar aos US$ 85 mil, e a semana tem decisão de juros nos Estados Unidos, balanços de gigantes de tecnologia e um grande vencimento de opções.

Os níveis que o mercado observa

De acordo com o levantamento da publicação:

  • enquanto o preço ficar abaixo da zona de US$ 81,5 mil a US$ 82 mil, os vendedores seguem no controle;
  • uma perda sustentada de US$ 79 mil a US$ 80 mil poderia abrir caminho para US$ 78 mil e US$ 75 mil;
  • um movimento acima de US$ 83 mil enfraqueceria o cenário de baixa. O analista Benjamin Cowen olha o fechamento semanal: o cenário baixista perderia validade se o bitcoin fechar acima de US$ 83 mil e se mantiver ali;
  • há concentração de posições compradas alavancadas entre US$ 78,5 mil e US$ 79 mil, e de posições vendidas em torno de US$ 82 mil a US$ 82,5 mil. Liquidações forçadas nessas faixas podem ampliar os movimentos.

A Cointribune considera mais provável, no curto prazo, uma faixa entre US$ 79 mil e US$ 83 mil antes de um movimento direcional. São projeções do veículo e de analistas, não garantias.

Agenda da semana

  • 28 de outubro: decisão do Fed. A maioria dos economistas espera que os juros fiquem em 3,75% a 4%. As atenções se voltam para as falas do presidente do Fed, Kevin Warsh, e para sinais sobre a reunião de dezembro. Horas depois, Alphabet e Microsoft divulgam balanços.
  • 29 de outubro: balanço da Amazon e divulgação de dados de inflação dos EUA, depois da decisão do Fed.
  • 30 de outubro: vencem cerca de US$ 11,7 bilhões em opções de bitcoin; perto de US$ 4,5 bilhões são apostas de alta entre US$ 90 mil e US$ 100 mil.

O que mexe com o preço

Segundo a Cointribune, o bitcoin tem andado junto com as ações de tecnologia. O Nasdaq caiu 2,6% na quinta-feira (22), a pior sessão desde junho, em meio a preocupações com gastos ligados à inteligência artificial. O petróleo Brent fechou a semana a US$ 116,72, máxima em seis meses, o que alimenta temores de inflação e de juros mais altos em dezembro.

Estimativas da Glassnode citadas no texto indicam que, abaixo de cerca de US$ 80 mil, as empresas que mantêm bitcoin em caixa estariam em média no prejuízo. O texto ressalva que isso não obriga ninguém a vender, mas pode dificultar captações e frear compras.

Este texto é informativo e não é recomendação de investimento.

Análise

Esta seção é a leitura editorial do Tendência News, que adota uma linha liberal.

O bitcoin virou termômetro de apetite a risco e de expectativa sobre juros, e a semana mostra o motivo: o preço depende de uma decisão de banco central, de balanços de tecnologia e de petróleo, não de uma tese própria. Para o investidor, a lição liberal é a velha: preço é informação, e quem assume risco deve assumi-lo conscientemente, sem esperar que o Estado ou o regulador proteja de oscilações. O que cabe ao poder público é garantir regras claras, transparência das empresas listadas que carregam criptomoedas no balanço e segurança jurídica, e não decidir o que o mercado deve valer.